Opinião Vegana

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O mundo sob uma ótica vegana.

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Os vídeos de choque e seus possíveis efeitos indesejáveis

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
(Postagem editada em primeiro de junho de 2010, para a adição de mais informações).

A maioria dos veganos brasileiros devem ter conhecimento de pelo menos um “vídeo de choque”. Exemplo desses são Terráqueos e A Carne é Fraca. Todos mostram uma realidade dura e crua em que os animais são submetidos pela indústria que os utiliza, nas mais diversas áreas as quais meteram os animais.

Porém, esses vídeos de choque evidenciam não o problema, que é o uso, mas sim a forma que se dá o uso. Eles não questionam o uso. Usar animais não é questionado nesses vídeos, exceto por uma pequena mensagem de apelo ao veganismo no final do vídeo. Algo extremamente singelo que é obscurecido diante da verdadeira enxurrada de sofrimento exposta pelo vídeo.

Assim, a verdadeira mensagem que é passada é de que o problema não é o uso, e sim o tratamento o qual os animais são submetidos. Que a questão não é por exemplo, que os porcos sejam criados para serem mortos, mas sim por eles serem criados em confinamentos antinaturais, insalubres e simplesmente submetidos a processos demasiadamente cruéis. Se eles forem bem tratados, o que qualquer bom pecuarista argumentaria ser o caso dos sujeitos que ele transformar nos produtos por ele comercializados, não há problema algum.

Normalmente, o discurso do bom tratamento dos animais perpetuado pelos pecuaristas, creófilos  e vegataristas bem-estaristas, encerra-se com o chavão do abate humanitário. Curiosamente, há uma diversidade de vídeos de choque de abate humanitário, revelando o quão isso é uma piada de mal gosto.

Obviamente, dentro da mentalidade bem-estarista, esses vídeos capturam exceções, falhas e outros sinônimos da ideia de excepcionalidade que convir argumentar. Contudo, essas falhas, até na ótica bem-estarista, valeriam a pena? Se há o risco de falha num sistema obviamente imperfeito, por que avançar utilizando-o?

Essas perguntas só podem ser respondidas face a um argumento irracional e especista.

Só afirmando que “vale a pena, pois nós estaremos nos beneficiando com o paladar” se fará sentido continuar com esse sistema (ignorando argumentos econômicos e culturais).

Porém, num vídeo de choque não se tem como contemplar tais aspectos argumentativos do bem-estarismo. Há de se preparar o visualizador do vídeo antes de exibir o vídeo. Sua simples exibição poderá trazer efeitos nefastos para os animais não-humanos, tais como:

  • A banalização do sofrimento animal exposto (não o subentendido, pois este já é banalizado).
  • O fortalecimento do bem-estarismo.
  • A ideia de excepcionalidade.

Todas as três possibilidades resultam num resultado quase que nulo.

Por isso, cuidado ao exporem os vídeos de choque. Eles podem ter um efeito não muito feliz.

Antes de fazê-lo, saibam a quem estão os dirigindo, forneça-os informações relevantes sobre o vídeo e, sobretudo, sobre a Ética Animal que a ela está vinculada.

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