Opinião Vegana

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O mundo sob uma ótica vegana.

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Especismo, Creofilia e Carnismo: similitudes e diferenças

terça-feira, 13 de setembro de 2011

1. Introdução

O discurso animalista hoje possui um vocabulário próprio. Abolicionismo Animal, Bem-Estarismo Animal, especismo, senciência, creofilia, carnismo, etc.. Alguns destes conceitos podem parecer, a primeira vista, sinônimos. É assim que acontece com Bem-Estarismo Animal e Libertação Animal, e mesmo com Libertação Animal com Bem-Estarismo Animal. Conceitos são criados e recriados, como sinônimos diferenciados por quem os usa, tal como autoconsciência e consciência utilizados como sinônimo de senciência.

Apesar dessa vasta gama, esse texto não possui a pretensão de tratar de todos esses termos. Neste, pretendo apenas traçar um esboço do especismo comparado a creofilia e carnismo.

2. O Especismo

O especismo é o conceito central e mais comum das teorias dos direitos animais. Foi um termo cunhado por Richard Ryder, em Oxford, em 1970, tendo como base o sexismo e o racismo. Similar ao sexismo, o especismo é uma discriminação relevante com base num aspecto que, para o critério adotado – a espécie – é irrelevante.

Peter Singer afirma que não seguir o princípio de igual consideração de interesses, quando a espécie está em jogo, é ser especista. Atenta-se que o anti-especismo, portanto, não clama que todos as espécies sejam materialmente iguais (afinal, se assim fossem, não seriam espécies, vez que o que torna uma espécie uma espécie é sua individualização). Pede-se que os membros de outras espécies tenham seus interesses igualmente considerados. Indivíduos incapazes de terem interesses, no sentido que a senciência prescreve, não podem ter esses interesses levados em consideração.

Para Herón Satana Gordilho, o especismo pode se dar em duas formas básicas: o especismo eletista e o seletivo. O primeiro considera que todas as espécies não-humanas são inferiores aos humanos, não devendo os humanos levar em consideração os interesses alheios. O segundo considera que algumas espécies são mais iguais que outras. Exemplo disso é o que Gary Francione denomina de esquizofrenia moral: no Ocidente, tem-se gatos e cães como companhia, mas mata-se porcos.

3. Creofilia

Enquanto o especismo atinge o campo da ponderação racional dos agentes morais, o que eu denomino de creofilia é a aplicação desses especismo no campo dietético. Como eu já defendi em outro momento, creófilo (aquele que gosta de carne), em português, seria o termo mais adequado para denominar aqueles que praticam o especismo dietário, ou seja, aqueles que consomem animais e seus subprodutos.

Posso, portanto, afirmar que o especismo atinge o campo subjetivo das pessoas, enquanto a creofilia é a interessa da subjetividade especista no nível dos fatos.
Pode-se argumentar que o termo onívoro já desempenha esse papel, porém devo contrapor essa ideia equivocada. Onívoro é uma condição biológica, uma possibilidade, não o que se realmente faz. Se onívoro fosse a locução adequada, dever-se-ia catalogar aqueles que consomem apenas vegetais, fungos, etc., como herbívoro. Naturalmente “vegetariano” seria um conceito ocioso e inútil. Mas não procede-se assim.

A naturalização da creofilia extinguiu uma palavra própria para essa prática, necessitando-se de uma locução individual para revelar sua carga ideológica. É nessa situação em que creofilia se torna uma palavra útil, uma palavra que reflete que a creofagia (veja-se, creofagia não é creofilia, é simplesmente comer carne) com afinidade ideológica é uma manifestação de um grupo de ideias – não uma condição natural humana.

4. Carnismo

Carnismo, que já pelo nome é explicado, é uma ideologia que tem como objetivo a justificação do consumo do corpo de animais. Não se preocupa, necessariamente, com a posição de superioridade que os humanos teriam sobre os animais, mas sim com o consumo do corpo deles.

Naturalmente, pode soar mais um conceito inútil, que tem identidade completa com o especismo. Não é bem assim. O especista de carteirinha pode ser vegetariano. O carnista não. O carnista pode ser até mesmo antiespecista! Obviamente, a técnica e o contexto histórico em que vivemos não permite que se seja um antiespecista no sentido convencional e holístico da palavra (vulgo, vegano).

Quem criou o conceito foi Melanie Joy, uma psicóloga americana. Ela clama que o carnismo possui como métodos a negação e, quando não possível negar o problema animal, a justificação. A justificação se dá em três Ns, como ela muito bem diz: natural, necessário e normal. O ativista dos Direitos Animais médio deve muito bem conhecer esses três Ns. A refutação deles, em síntese são:

Natural: a natureza não dita a eticidade, apenas a limita. Posto que humanos podem viver sem comer corpos de animais, se isso é natural ou não é uma discussão inútil e um desvio argumentativo. Tanto é assim, que comportamentos “naturais”, como deixar-se levar pelas sua atração sexual (também conhecido pelo nomen iuris de estupro) é tido como abominável. Mas é um comportamento adotado por vários mamíferos, sendo razoavelmente natural.

Necessário: refuta-se o argumento acima afirmando que, ao contrário do que eu defendi, humanos não podem viver sem comer corpos de animais. Tal afirmação é fruto de ignorância da realidade e da ciência. Referir-se a literatura nutricional vegetariana, tal como a obra de Eric Slywitch, e o artigo da American Dietetic Association.

Normal: não sendo natural nem necessário, comer o corpo de outro animal é tido como normal. Clama-se com esse argumento que a normalidade condiz com a eticidade. Ledo engano, o justo não é fundado na maior quantidade de praticantes, mas sim no que essa prática corresponde no sistema ético. Como o argumento da natureza, é uma defesa retórica e irrelevante.

A autora também identifica um movimento que ela denomina de neo-carnismo. Esse movimento procura negar os três pilares clássicos do movimento vegetariano, qual seja: Direitos Animais, a questão ambiental e a questão da saúde. É assim que surge o “carnismo piedoso”, “ecocarnismo” e o “biocarnismo”. O primeiro é resultante do Bem-Estarismo animal, que vê como problema a forma que os animais são tratados e não o fato deles serem explorados. O segundo vê como problema a pecuária industrial, não a pecuária em si (é o famoso caso do “gado verde”, manifestado pelo famoso Dr. Salada). O terceiro é feito basicamente de ex-veganos e vegetarianos que acusam a sua antiga dieta de causar problemas de saúde.

5. Conclusão

Neste texto eu discutir três conceitos similares que povoam a argumentação animalista moderna: o especismo, a creofilia e o carnismo. Argumento que são conceitos úteis, que se prestam a tratar de temas diferentes que possuem relevância autônomas.

Referências

GORDILHO, H. S. Abolicionismo Animal. Salvador: Evolução, 2008.

JOY, M. Understanding Neocarnism: How Vegan Advocates Can Appreciate and Respond to “Happy Meat,” Locavorism, and “Paleo Dieting” | One Green Planet. On Green Planet. Retrieved August 25, 2011, from http://www.onegreenplanet.org/lifestyle/understanding-neocarnism/, 2011, July 29.

SINGER, P. Animal Liberation. Nova Iorque: HarperCollins, 2009.

“Primeiro a Humanidade!”

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Um argumento recorrente, que já foi diversas vezes refutado (Peter Singer e Tom Regan trataram de forma extensa em suas respectivas obras), porém que continua a ser insistentimente posto, é não existe validade em promover Direitos Animais enquanto houver problemas humanos. Entende quem promove esse argumento que primeiro tem-se que resolver o próprio problema para que se preocupe com o do outro.

Não posso deixar de entender que essa ideia carece de sentido e que é absurda.

A falta de sentido está no próprio entendimento de que se tem que resolver os próprios problema para não causar problemas alheios (o que basicamente o que os abolicionistas animais querem é isso: que os humanos parem de causar problemas para os animais não-humanos).

Agora, para mostrar o quão absurda é essa ideia, convido o leitor a fazer um exercício mental, abstraindo o paradigma ético antropocêntrico vigente.

Inicialmente gostaria de deixar claro três termos que usarei nos enunciados do exercício mental proposto: 1. O termo “benéfico”, em aspas, corresponde a qualquer coisa que agrade o sujeito moral do enunciado, até mesmo as mais mesquinhas e frívolas trivialidades; 2. Bem-estar corresponde ao estado de satisfação máximo com a vida, não apenas se tratando do mínimo para a vivência; 3. Obliteração e ruína corresponde a, no primeiro caso, extinção total do paciente moral e, no segundo caso, a lesão que tenha repercussões irreparáveis e terríveis para o paciente moral.

Começamos trazendo este argumento para o círculo pessoal, isto é, colocando no topo das considerações morais o dito “eu”. Primeiro eu. O enunciado que teremos será: Não se deixará de fazer nada que, apesar de ser “benéfico” ao meu próprio bem-estar, leve a obliteração e a ruína de ser alheio, isto pois a prioridade em alcançar o bem-estar sou eu. Acho que ninguém, honestamente, até sendo o produto mais egoísta de nossa sociedade, crê que o enunciado seja válido.

Alargando um pouco, tratando o círculo afetivo seguinte, podemos tratar da “família”, trazendo o argumento para o círculo de pessoas com ligações sanguíneas com o “eu”. Primeiro minha família. Não se deixará de fazer nada que, apesar de ser “benéfico” ao bem-estar da família, leve a obliteração e a ruína de ser alheio, isto pois a prioridade em alcançar o bem-estar é de minha família. Os cidadãos de bem podem achar isso válido, porém, salvo em se tratando de grave ameaça contra ente familiar, acho difícil alguém achar nobre obliterar ou arruinar outro em nome do benefício do bem-estar da família (ex.: cometer latrocínio só para aumentar o patrimônio familiar.)

Pois bem, posso falar do bairrismo, provincialismo, classismo, além de uma “ética das amizades”, onde a prioridade é dos amigos, mas creio que seja mais interessante tratar do nacionalismo e do etnocentrismo, nesse contexto. Tratando da nação, o argumento ficaria mais ou menos assim: Não se deixará de fazer nada que, apesar de ser “benéfico” ao bem-estar da nação, leve a obliteração e a ruína de povos estrangeiros, isto pois a prioridade em alcançar o bem-estar é da nação. Engraçado que esse pensamento é o norteador, ao contrário dos outros exercícios que tratei, do imperialismo. Quando uma nação invade outra, apenas com o fim de escravizar seu povo, usar suas economias, em benefício próprio, ela está praticando o enunciado em itálico.

O etnocentrismo dá quase no mesmo, mas trata-se de etnias em vez de nações. O enunciado correspondente pode ser encontrado em discursos racistas, que utilizam de uma retórica da “necessidade” de expansão às custas da obliteração e ruína de etnias alheias. Creio que o cidadão racista (o mais próximo do etnocentrista que podemos encontrar no Brasil) compreenderá que não é de qualquer forma absurda oblitera e arruinar os outros em nome de sua etnia, mas como a expressão do racismo entre nós já chegou a ser criminalizada, acho que socialmente esse posicionamento seja indefensável.

Agora  vamos sair o exercício mental e ir ao enunciado que corresponde ao pensamento que interessa ao tema central deste blogue: Não se deixará de fazer nada que, apesar de ser “benéfico” ao bem-estar da humanidade, leve a obliteração e a ruína de povos estrangeiros, isto pois a prioridade em alcançar o bem-estar é da humanidade. As consequências deste pensamento sem pé, nem cabeça, são evidentes, e se resumem à obliteração e ruína de 55 bilhões de animais terrestre e aves, sem contar com os marinhos.

Concluindo, não existe nenhum cabimento submeter o não-causar-dano aos outros a maximização do próprio bem-estar. É flagrantemente imoral, e sua variante especista tem que ser superada como foi nas outras esferas de exclusão moral que lhe são mais exclusivas.

O Especismo

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Especismo, tal como o racismo e sexismo é uma forma arbitrária de discriminação. Arbitrária pois não tem nenhuma ligação com um motivo racional de discriminação.

A discriminação entre homens e mulheres quando se trata de aborto, por exemplo, não é sexista. Homens não podem abortar, não há sentido algum em eles terem direito o direito de abortarem.

Já a discriminação entre humanos e não-humanos mais comuns (como não-humanos não terem direito à liberdade, a integridade física e a vida) são arbitrárias no momento em que o senso de liberdade, de integridade física e de vivência ser algo comum a maioria dos animais. O especismo ignora que os animais conhecem empiricamente a liberdade, sentem seus corpos e têm consciência de estarem vivos (ao temerem o cativeiro, o dano a saúde própria e a morte).

Mas o especismo não é uno, ele aparece em duas formas já bastante trabalhadas, sobretudo por Gary Francione: o especismo elitista (exemplificado pela fala de Lula, “O principal animal do mundo é o ser humano“) e o especismo seletivo (também conhecido como a esquizofrenia moral de Francione). Seguramente, a maioria dos brasileiros são especistas seletistas. Eles respeitam a vida de algumas espécies, enquanto vibram diante do cadáver de indivíduos de outras espécies. A ideologia vivissecionista, tal como a fala do presidente brasileiro, é elitista no momento em que coloca todas as outras espécies abaixo do julgo humano sem limites éticos além da cosmética pública.

O antiespecismo, ou a ideologia dos Direitos Animais, não se propõe, portanto, a exigir o reconhecimento do direito de voto dos cachorros ou o direito de livre expressão religiosa aos ratos. Seria um absurdo, uma verdadeira afronta ao bom-senso e a lógica.

O antiespecismo busca o fim da arbitrariedade que discrimina os animais quanto a suas espécies e tem como mínimo ético o veganismo.

Os Treze Especistas

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Nesse artigo, venho mostrar casos tanto ordinários quanto extraordinários de especistas. São modelos baseados em pessoas que realmente conheci, pessoalmente ou através de seus escritos.

Qualquer semelhança poderá, ou não, ser mera coincidência.

1. O vegetariano que come carne

Ele não é radical. Na verdade, ele não é nem um pouco radical. Ele é flexível, bastante flexível. “Vegetariano” pela saúde ou pelo meio-ambiente. Afinal, os animais são inferiores, e quando a mais leve fome bate a porta e o “vegetarianismo” perde sua conveniência, ele é o primeiro a devorar o defunto que jaz no meio da mesa. Normalmente esse não vê nenhum problema num copo de leite, num ovo, ou até mesmo no peixe. Pois, nenhum animal morreu para se obter o leite ou o ovo, e peixe dá em árvore.

2. O humanista sádico

Cidadão de bem. Ele quer o bem da humanidade, a frente do bem aos animais naturalmente. Normalmente, esse tipo não faz nada além de falar e falar. No máximo, faz doações irrisórias importantes (sem brincadeira) para ONGs humanitárias. Porém, ele odeia defensores dos direitos animais. Afinal, animais são inferiores do que, os também animais, humanos. Não que isso tenha alguma ligação em abster-se da exploração institucionalizada que eles sofrem, ou seja, em não viver a custa dos sofrimentos deles. É uma questão de preferência, de semelhança, tal como o racismo e o sexismo. “Brancos preferem brancos, por isso lincham negros (ou vice-versa)”; “Homens preferem homens, por isso escravizam mulheres (ou vice-versa)”. Obviamente, não há nada de errado em desviar a comida e terra arável para alimentação animal enquanto milhões estão com fome em seu próprio país. O importante é manter a pose.

3. O orgulhosamente especista

Ele é humano, se orgulha de ser humano e de ser superior que as outras espécies. Não é a toa que ele não perde vaquejada, rodeio, circo, churrasco, campanha de vacinação, caçada, pescaria… a lista continua. Se tem animal sendo subjugado, ele está lá. Ele precisa demonstrar como é superior ao ver a agonia do animal, ou seu corpo morto já… ou até mesmo pegar ele, torturá-lo e jogar para seu habitat mais uma vez. Afinal, ele é humano, superior. Tem direito de torturar, esquartejar, matar quem quiser. Isso que é ser humano para ele.

4. O protetor de animais

O correto seria colocar “protetor de alguns animais”, mas para esses animais são apenas gatos e cachorros. No máximo, algumas outras espécies de aves ou roedores “fofinhos”. Por algum motivo, eles amam esses seres ao ponto de tratarem tão bem, ou até melhor, quanto os seres humanos. Naturalmente, as outras espécies não são animais. Na verdade, eles só os conhecem já mortos… carne, defunto? Que ofensa herética. Claro que não. Carne é carne. Defunto é defunto. Respeite-os.

5. O ignorante feliz

Ele tem medo dos veganos. Não, não é que nem os pecuaristas desesperados ou as pessoas que nada tem para fazer no orkut que ficam colocando notícias patéticas de terroristas veganos nos tempos de ouro da ALF. Eles têm medo da verdade que os veganos falam. Documentário? Não obrigado. Ética? Não obrigado. Gastronomia vegana? Não obrigado, eu gosto de carne, quero continuar gostando de carne, e não quero sair de meu maravilhoso mundo mágico da Sadia.

6. O creófilo Bem-Estarista

O problema não é o uso, mas sim a forma que os humanos usam os animais. Não tem nada errado em matá-los prematuramente, escravizá-los ou algo do gênero, se os tratemos bem. Claro, eu não sei se o bife que comi ontem viveu bem nos seus campos, mas… acho que sim. Bem, eu não gostaria de ser morto e tal… nem ser escravo de ninguém. Mas isso é irrelevante, enquanto eu me sinto com consciência limpa e o dinheiro continua entrando nos cofres da indústria.

7. O bom pescador ou caçador

Ele mata sim. Ele gosta de matar. Matar é divertido. Puxar aquele gatilho ou aquele anzol, depois de esperar minutos e minutos. Muito divertido. Além de ser divertido, é muito mais humano do que confiná-los numa vida miserável e depois matá-los. Matemos enquanto eles dão um passeio por aí, mais humano impossível.

8. O viciado

Para ele, carne e laticínios deveriam ser categorizados como narcóticos. Causam dependência. Se ficar sem, passa mal. Se a cidade onde ele passou as férias é vegetariana (e não me falou onde viajou, para não o abandonar de vez), ele viaja para ir numa churrascaria. Esse aí tenta, tenta. Até quer ser vegetariano, mas coitado, não consegue. Até que criem centros de reabilitação (ou habilitação) para creófilos, ele estará tragicamente servindo de cemitério.

9. O ex-vegetariano

Esse já foi vegetariano, de verdade, em uma etapa homérica da sua vida. Deixou o vegetarianismo depois de começar esquecer das coisas, de ficar anêmico, agressivo e apresentar outros sintomas de deficiência de vitamina B-12. Por sinal, o que é a vitamina B-12? Além disso, acabou enjoando daquela meia dúzia de receitas com soja. Soja assada, soja frita, soja cozida… soja aquilo, soja.

10. O naturista

O ser humano é naturalmente adaptado para comer carne. Basta ver nossos caninos… enormes, para delicerar carne. Claro, nós também podemos fumar, nossas bocas são adaptadas para o fumo. Okay, o fumo deixa broxa e dá câncer, mas a carne também… hum, hum. Os animais também comem uns aos outros, nós podemos os comer. Eles também estrupam, cometem infanticídio… mas bem, isso não vem ao caso. Onde é que estávamos mesmo?

11. O religioso

No começo, Deus criou o homem e a mulher, além de todos os animais que rastejam no chão, voam pelos céus e nadam nos mares. O homem e a mulher possuíam alma e o domínio sobre os animais. Por isso que o homem e a mulher podem fazer todo tipo de coisa típica do Satanás com os animais. Afinal, os animais não possuem alma nem salvação para poderem ir ao inferno. Que o inferno deles seja na Terra mesmo.

12. O cientista

Coelhos são fofos, mas são mais fofos ainda com substâncias químicas concentradas pingando em seus olhos. Não que sejam imprescindíveis, sempre há um modelo computadorizado ou novos testes mais eficazes e baratos. Mas mexer naqueles bichinhos é tão legal. Divertido e que dá satisfação é fazer os testes medicinais neles. É um absurdo questionar os testes nesses animais, tão diferentes de nós, pois eles são tão parecidos conosco. Sem eles, como poderemos criar aquela pílula cheia de contraindicações e efeitos colaterais, que precisarão de mais pílulas para amenizar? E como faremos para conseguir aquele financiamento do CNPq?

13. O ambientalista

Usam roupas recicladas, fazem coleta seletiva, protestam contra energia nuclear e os desmatamento da amazônia. Depois de qualquer grande evento como esses, vai à churrascaria comemorar com a fumaça do desmatamento e a terra cansada do cerrado entre os seus dentes.

Treze exemplos que provavelmente todo vegano já chegou a conhecer, treze exemplos onde o especismo se mostra nas suas formas mais irracionais, comuns e incoerentes. A maioria dos especistas são uma combinação desses. Ambientalistas naturistas, cientistas religiosos, pescadores bem-estaristas, protetor de animais viciado… uma gama vasta dessa patologia moral que inferniza a vida dos animais desde antes de Aristóteles.

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