Opinião Vegana

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O mundo sob uma ótica vegana.

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Carne: uma palavra mascaradora

sábado, 4 de setembro de 2010

Este artigo será sintético, uma vez que o tema não requer maiores delongas para atingir meu objetivo.

Carne, palavra plurissignificativa que é tão comum em nosso cotidiano, até mesmo dos veganos que delas não se alimentam. Carne significa desde “Tecido muscular, animal ou (sic) humano.” a “Sensualismo, concupiscência.” (Definições extraídas do Dicionário Aurélio). É um signo que possui, salvo raras contextualizadas exceções (como no discurso vegano ou num (neo)platônico), um valor definitivamente positivo. Para o creófilo ou erotomaníaco, é seu alvo de desejo e para a pessoa de família, é seu agrupamento familiar. Mas, no caso do creófilo, acaba por ocultar também a realidade escancarada que o vocábulo representa, realidade esta que possui um valor normalmente oposto ao que a carne apresenta.

Diante do fato de que, para efeitos quase universalizantes, carne implica num tecido muscular animal, de um animal cuja vida foi findada para este fim, não é abuso dizer que carne é o fruto de um assassinato. (Ah, o leitor creófilo deve estar se sentindo ofendido. Não se ofenda, apenas és um dos mandantes do assassinato já consumado.) Carne, de fato, é o tecido muscular dum animal morto. De um cadáver.

A mascaração do termo explica o motivo que pessoas que não ousam degolar os animais que comem fazerem o que fazem, uma vez que carne torna uma ideia comumente negativa (parte de um cadáver) positiva.

De sociopata todo creófilo tem um pouco…

terça-feira, 22 de junho de 2010
Observação: quando digo “sociopatia” ao falar de creófilos, me refiro ao contexto que coloquei no artigo Creofilia e sociopatia. Qualquer outra consideração que fuja a noção de que o especismo, enquanto desconsideração dos interesses dos seres sencientes, se configura num tipo vulgar de sociopatia, não são pertinentes a esta minha crítica dirigida, sobretudo, a platéia. (Adicionado em 21/07/10)

Me digam uma coisa, especismo a parte, essa não é a descrição de três assassinatos?

Observe a piada alfascista de péssima qualidade do Jô Soares. Eu achei que eles já tinham superado o biocentrismo cômico, mas um dos maiores humoristas do país (sim, estou sendo irônico) não aprendeu ainda.

Creofilia e sociopatia

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Uma refeição creófila com uma diversidade de espécies animais. Foto de lotusutol.

Primeiramente, gostaria de destacar o fato de não ser psicólogo ou psiquiatra. Os conceitos de sociopatia aqui trazidos não são de caráter técnico, mas sim impressões do senso-comum social, e assim será aplicado.

Em segundo lugar, aviso que esta postagem, como a maioria das minhas postagens, pode causar um desconforto para os creófilos. As comparações que se dará poderá ofender acima do comum os creófilos, visto que lida com a analogia do comportamento deles tido como normal com comportamento de outros tidos como monstros normais (“criminosos”). Naturalmente, não aceitarei comentários abusivos, como xingamentos e afins. Não vejo diferença ôntica (de espécie) entre o assassinato de um ser senciente e um ser sapiente. Tampouco vejo diferença ôntica na morte de um humano, não-humano, familiar meu ou do comentarista. O especismo, desde o princípio, não é norteador de meus artigos (tampouco de qualquer opinião que se diga vegana). Sua oposição que o é.

Diz-se do sociopata aquele que comete coisas moralmente extremamente reprováveis (normalmente tidas como crimes, apesar da matança de animais sencientes não o ser) e não sente nem um pouco de remorso. Irei me centrar em construções abstratas, não tratando de humanos específicos, e desconsiderando outros traços de sociopatia que não sejam esses.

Frente a opinião pública, muitos criminosos que matam a sangue frio suas numerosas vítimas (assassinos em série) ou uma vítima especialmente indefesa (normalmente, quem mata idoso ou infante), muitas vezes utilizando de meios cruéis e por motivos fúteis, sem demonstrar remorso, são tidos como sociopatas. Não é incomum a clamar pela eliminação física dos autores dessas atrocidades, especialmente no calor da indignação moral das pessoas que pedem mais uma morte. Algo corriqueiro, infelizmente. Porém, deixemos a questão legal e especista de lado. Vejamos casos similares a essas ocorrências, fora de nossa espécie.

Os caçadores, abatedores, pescadores e outros ditos cidadãos de bem têm hábito de matar corriqueiramente, muitas vezes com requintes de crueldade (atirando no ser indefeso e o deixando sofrer, degolando-o e deixando morrer afogado em seu sangue, quebrando seu pescoço, matando por lenta asfixia, etc) numerosos seres sencientes de outras espécies. Sem remorso, naturalmente. Não seriam esses especistas diretos sociopatas? Se fizermos uma analogia com o caso do infanticida, onde o agravante é o estado de debilidade defensiva do sujeito da agressão gravíssima, (que é o atendado a seu bem mais importante, que condiciona a existência dos outros bens morais) a perfeição será grande. A vítima do caçador, do abatedor, do pescador é indefeso, é senciente e não tem como escapar de forma justa de seu algoz. E, no caso especial do abatedor e do pescador, o seu motivo é estupidamente fútil: o paladar (fora situações de risco e extremos, de onde não é honesto tomar como regra). Já o caçador esportivo, utilizando de uma retórica ecológica, sorri diante de suas atrocidades “ecologicamente correta”. Mais sociopata que o caçador esportivo, talvez somente o creófilo-padrão.

O creófilo-padrão, aquele que é especista seletivo, que terceiriza sua crueldade talvez seja o mais cínico de todos os especistas. Ele não se reconhece como um agente ativo das atrocidades do qual é o corresponsável. Analogicamente, podemos vislumbrar o mandante de matança. Quem manda matar, pela lógica da irresponsabilidade do creófilo-padrão, não é responsável moralmente pela morte que mandou. Uma retórica tão falsa que soa simplesmente ridículo aos ouvidos treinados de um vegano. Há outro instrumento que creio que seja mais usado do que esse que é a afirmação de que a aquisição da carcaça não por encomenda (normalmente), mas sim ocorre depois da morte ter sido realizada. Uma franca desonestidade por parte dos creófilos, visto que sabemos que o produto existe para suprir as demandas que se tem por ele. Contudo, são os creófilos que se sentem os mais limpos e eticamente incontestáveis, ao mesmo passo que eles mesmos reconhecem os direitos que eles não respeitam dos animais. O cinismo e a falsidade, além da ausência de remorso, é bem manifestado neles. Não posso deixar de concluir que, nesse aspecto, eles são sociopatas.

Outro fenômeno que vejo como relevante é a autoafirmação especista. Os creófilos tendem a não só praticarem atos especistas, mas também de se orgulharem de fazer isso. O antropocentrismo pautado na autoafirmação especista da violência, a exemplo de toda ideologia que sustenta a tese da superioridade de nossa espécie baseada em nossa capacidade de eliminar a vida alheia (de forma racional ou “natural”). Se faz o que se faz pois se pode, não havendo ponderação ética a cerca disso, num ato tremendamente sociopata.

Assim, acredito que num futuro vegano (caso de fato ocorra), os poucos creófilos que restarão serão tratados tal como os infanticidas e homicidas em série o são hoje pela nossa sociedade. A sociopatia será a etiqueta que estará estampada nas testas deles, certamente, por motivos não menos justos quanto os que ditei acima.

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