Opinião Vegana

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O mundo sob uma ótica vegana.

Entradas com Etiqueta ‘boicote’

Do boicote aos artistas que apresentam em rodeios e às empresas que os patrocinam

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A Minerva patrocina o Rodeio de Barretos. CC-BY Gerardo Lazzari.

Antes de iniciar a discussão, quero deixar claro que quando digo boicote, não estou me referindo a se abster de produtos que diretamente estão relacionados ao especiesmo. Me refiro sim ao boicote aquilo que não tem relação direta ao especismo. Falar de abstinência de produtos relacionados diretamente com o especismo é pleonasmo num post vegano.

Portanto, indo ao que interessa:

Alguns veganos boicotam, por exemplo, algumas marcas de bebidas alcoólicas por patrocinarem rodeios. Outros boicotam artistas que se apresentam nesse tipo de evento. Há quem, inclusive, condene algumas coisas (ex. tabagismo) por não haver opções que não tenham um pé dentro desse tipo de evento.

A lógica para eles é simples: se é pilar de sustentação do especismo, vive dele e logo tem que ser combatido através da não-participação e do boicote.

Creio que esse pensamento seja equivocado. A propósito, normalmente quem faz campanha por esse tipo de boicote é injusto, se não hipócrita. Isso pois raramente essas pessoas não deixam de fazer algumas exceções tácitas. Não vejo campanhas de boicote, nesses termos, dirigidos ao cartão de crédito Visa ou às lojas de departamento Casas Bahia. Ambos patrocinam rodeios.

Outro problema dessa lógica possui uma conclusão que raríssimas vezes vi alguém defendendo (provavelmente por ser impraticável): que nós devemos boicotar os especistas. Exatamente, boicotar todos os especistas! Afinal, todos eles são os pilares do especismo. Sem especistas, não há especismo… (seria essa frase o prólogo de um fascioveganismo?). Obviamente, isso é impossível. Não dá para viver sem especistas… por enquanto.

Agora, explicando o motivo pelo qual entendo que seja um boicote equivocado:

No caso das empresas, o patrocínio possui um conteúdo basicamente financeiro. Não faz parte das atividades delas (quando limita-se a análise apenas do produto o qual você está consumindo, é claro) a prática direta do especismo. Como o fim do boicote é uma representação ou uma efetiva ação contra o especismo, faz tanto sentido boicotar uma patrocinadora de rodeio quanto um advogado creófilo. Não é a mesma coisa que boicotar uma empresa que testa. Vale mais a pena, e faz mais sentido, lutar pela causa abolicionista, por uma educação vegana que possibilite a mudança de paradigma ético-cultural que os Direitos Animais exigem, do que ficar boicotando a Schin por conta disso.

Quanto aos artistas que se apresentam nos eventos, há dois casos: o econômico, que é o mesmo do patrocinadores; e o ideológico. Bandas e artistas especistas, que ganham sua vida propagando a ideologia especista, não merecem ser boicotados por apresentarem num paraíso especista. Esses devem ser boicotados por serem propagadores da ideologia especista, simplesmente por isso.

O Caso Metallica

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Antecipadamente, digo logo que não gosto do Metallica. A banda não faz meu gosto musical.

A vinda da famosa banda de metal às terras tupiniquins tem suscitado uma série de discussões na mídia de Direitos Animais. Como alguns devem saber, o guitarrista da banda é vegetariano. Ele também supostamente é criador de cavalos, o que coloca as especulações dele ser vegano abaixo.

Mas não é bem isso que vem alimentado o debate a redor do Metallica. Quem está em pauta é o vocalista da banda, James Hetfield. Lilian Garrafa da Agência de Notícias de Direitos Animais escreveu sobre Hetfield:

Seu histórico de assassinatos é antigo. Em 2001, o vocalista fez uma expedição de duas semanas para caçar ursos na Sibéria. Durante esse período, em que se dedicou integralmente à atrocidade, sequer foi capaz de retornar para passar o aniversário junto de seu filho. O DVD Some Kind of Monster exibe cenas do que o artista categoriza como “hobby”

E não para por aí. Por onde quer que passe, Hetfield sempre procura meios de dar seus tiros, executando, de modo totalmente injustificável, seres indefesos que têm a infelicidade de cruzar seu caminho. A foto a seguir foi tirada durante uma caçada na Patagônia, Argentina.

Ela termina seu artigo afirmando que

Enquanto a barbárie praticada por Hetfield não for censurada e punida legalmente, o mínimo que se pode fazer é boicotar os shows da banda. É o meio de manifestar que seus fãs, apesar de curtirem o som da banda, não concordam, não apoiam as atitudes de seu vocalista e, sobretudo, têm consciência de que pagando para assistir a um show ou comprando um CD ou DVD, estarão patrocinando a atitude cruel de Hetfield. Passou da hora de demonstrarmos o descontentamento com o que nos é imposto.

O instrumento do boicote é extremamente importante para a consolidação dos Direitos Animais de forma não-violenta, um instrumento que não se deve deixar de usar quando for possível. Mas creio que esse não seja necessariamente o caso.

Vejamos: queremos abster-nos de financiar a atividade antiética, a caça, de Hetfield, ao boicotarmos a banda o qual ele integra. Essa caça é antiética no momento em que ela viola o direito a vida aos animais sencientes que são alvejados de forma covarde pelo vocalista, e uma forma dele parar de fazer isso é não apreciar, monetariamente, o trabalho dele.

A partir de um raciocínio desse tipo, o que me aparenta ser o demonstrado pelos defensores do boicote, podemos estender aos creófilos em geral. Afinal, os creófilos pagam para que matem animais sencientes de forma covarde por pessoas pagas para fazerem isso.

Devemos, então boicotar todos os profissionais creófilos? E mais, todas as empresas que de alguma forma estejam vinculados ao desrespeito dos Direitos Animais [empresas essas que, por exemplo, têm um produto de origem animal.

Se levarmos a coisa nessa lógica, o boicote será impraticável.

Porém, analisemos então o que está em jogo no show. Estaríamos pagando pelo quê? Para quê James cace?

Não.

Não pagaríamos o ingresso para que James cace. É uma questão teleológica. O dinheiro o qual transferiríamos para James não foi por causa da magnífica temporada de caça que ele teve. Mas sim pelo espetáculo musical do conjunto. O trabalho deles é esse: tocar. E estaríamos pagando pelo trabalho deles.

Já a forma a qual eles usaram esse dinheiro está fora de nosso controle.

O mesmo é aplicável a qualquer tipo de trabalhador. Ele pode usar o seu dinheiro para comprar tofu ou para comprar bacon. A liberdade dele, dentro de nossa sociedade especista, o permite fazer isso. James provavelmente deve caçar legalmente, se não o faz, a sua atividade já é ilegal, além de antiético.

Enfim, a mensagem que temos que passar é que sim, repudiamos James. Repudiamos a creofilia e tudo o quê o sistemático institucionalizado desrespeito aos Direitos Animais é. Não só a caça esportiva, ou melhor: a caça sádica. Mas sim todas essas aberrações.

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