Opinião Vegana

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O mundo sob uma ótica vegana.

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A tempestade e a “traição” felina

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Grande murmurinho tem sido feito por conta da declaração do Padre Marcelo Rossi, de que o sarcedote pessoalmente nutri desgosto por gatos, pois eles seriam “traiçoeiros”.

Conheço gatos, convivo com uma, sei que tal crítica não procede, ao menos aqueles que tive contato. Traição só existe quando existe uma deliberada quebra de confiança. Quem é traído por gato não sabe interpretar sua comunicação. Mas, normalmente tal posição advém da cultura popular, fonte de boa parte dos preconceitos contra não-humanos e humanos. Gerardo Furtado, em brilhante artigo sobre os preconceitos que a humanidade tem preservado contra os pequenos felinos, esclarece esse fenômeno de forma maestral.

Esclarecido que o que o padre falou é inverdade, que é comum, e que não defendo seu preconceito, parto para o que tem sido feito em relação a tal infelicidade.

Como se pode ver, Luiz Fernando Pegorer, através da ANDA, convocou os leitores a protestar contra o que ele chamou de  ”atitude grosseira e anticristã do Padre Marcelo.” Sem entrar no mérito da cristandade do Padre, por não ter conhecimento de causa para tanto, que grosseria tamanha foi feita para que seja merecido chamar a horda de “protetoras” e “defensores(as) dos Direitos Animais” ao ataque? O simples fato dele ter chamado os pequenos felinos de traiçoeiros, reproduzindo acriticamente uma concepção popular comum? Talvez a suposta (pois não vi o caso, tomei conhecimento através de Luiz) careta com a língua de fora tenha sido repugnante suficientemente para atiçar a raiva do ativista. Nada contra a pessoa de Pegorer, pois não o conheço, mas não acho que andou bem no gesto convocatório.

Fora a repercussão que essa nota, por si só, tomou (nada menos que 402 comentários até às 8:39 do dia 20 de outubro de 2011), criou-se uma petição para que o sacerdote se retrate! Tal petição está disponível na Petição Pública, para aqueles que queiram assiná-la, possui já 6161 assinaturas (até as 11:09 de 20 de outubro de 2011). Tem menos gente no grupo Veganismo do Facebook do que os assinantes desta petição (afinal, condenar um Padre por ter dito asneira é menos grave do que viver a base de “seres inofensivos”). Segue o texto da petição:

Nós, abaixo assinados, aguardamos a retratação pública do Padre Marcelo Rossi sobre sua declaração de repúdio a gatos na última missa de S. Francisco de Assis e em programas de rádio. Entendemos que mais do que um ser humano como qualquer um de nós, o padre é um representante da Igreja e uma figura pública que atinge milhares de pessoas com suas palavras e com isso pode gerar uma onda de ódio contra os felinos, que ao contrário do que o padre declarou, não tem nada de traiçoeiros. Não podemos deixar estes seres inofensivos serem atacados sejam com palavras ou por atos de pessoas que podem se influenciar pelas palavras deste padre que decepcionou inclusive a muitos de nós.

No momento em que afirmar que gatos são traiçoeiros, no Brasil, tiver potencialidade para “gerar uma onda de ódio” com os carnívoros domésticos, eu estarei morto, pois se tem figura pública e representante de instituições (tal como a Igreja) que fala coisa pior de ateus, afrobrasileiros, etc., é sem número. Gatos traiçoeiros já fazem parte do arsenal de preconceitos que o brasileiro médio tem. Declarar publicamente isso é apenas reforçar essa ideia equivocoda, tendo apenas como potencial manter o status quo contra felis catus, não “causar o ódio contra os gatos”.

Em resumo: todo esse murmurinho não passa de uma tempestade no copo d’água, que acaba por desviar de coisas mais sérias, tal como ir contra o preconceito popular contra os gatos (e não o preconceito de uma determinada figura pública), que começa em ações efetivas de educação com os vizinhos, colegas e familiares. Não é a palavra de uma pessoa que irá mudar o que não mudou (o desgosto aos pequenos felinos por puro preconceito).

#GoVegetarian é um sucesso no Twitter

sábado, 20 de fevereiro de 2010
Por Robson Fernando

Hoje é o dia do “estouro da boiada” da tag #GoVegetarian no Twitter. No momento está em terceiro lugar entre os trending topics locais do Brasil.

Ao contrário de cybermanifestações em massa como o fracassado “#forasarney”, não se trata apenas de multiplicar a expressão “#GoVegetarian”, mas de levar a conscientização junto a ela. Frases de esclarecimento e links estão sendo divulgados ao lado de #GoVegetarian, e estão tendo uma enorme visibilidade.

O engraçado é que boa parte das reproduções da tag está sendo feita por onívor@s reacionári@s. Reagindo contra a revelação d@s vegetarian@s brasileir@s a público, acabam ajudando a divulgar a consciência vegetariana, mostrando que são incapazes de argumentos sérios a fundamentar a alimentação onívora — 99% das reações onívoras são trollagens e as velhas piadinhas do tipo “plantas são amigas, não comida” e assim favorecem muito nossa causa. Como eu comentei, em muitas de suas reações, @s onívor@s esquecem que também comem vegetais!

Parabéns aos/às vegetarian@s do Brasil nesse esforço bem-sucedido de divulgar o vegetarianismo à população online brasileira! Pelo visto, é a primeira ação vegetariana ativista de envergadura nacional bem-sucedida. É daí para melhor.

O Zoo referência do Norte-Nordeste

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Hoje, ao ligar o computador, me deparei com um tweet que me chamou atenção.

agecom

Zoo de Salvador é referência no Norte-Nordeste http://bit.ly/axuEpt

Ter a expressão “Zoo de Salvador” e “referência” numa mesma frase assusta qualquer um que já visitou a infame instituição zoopenitenciária.

Como alguns podem saber, a alguns anos atrás, o promotor Herón Santana entrou com um pedido de habbeas corpus em favor de uma chimpanzé encarcerada na instituição. A chimpanzé, contudo, acabou falecendo antes da decisão sobre sua libertação.

Zoológico são, por natureza, lugares antinaturais de encarceramento de animais para fins “educacionais” e de lazer. Para humanos, ou alguns deles, é divertido observar animais presos em jaulas. Além disso, alguns veem um fim educativo nessas instituições. Como se observar animais em cativeiro ensinasse alguém mais do que o fato deles não deveriam estar lá.

Voltando ao motivo de orgulho do governo Jaques Wagner, a agência de comunicação do estado afirma:

As 230 espécies de ararajubas, canários, cardeais e azulões, entre outros pássaros, que vivem no Zoológico de Salvador, a partir desta terça-feira (26), passam a viver de maneira livre e integrada com a natureza. Trata-se de mais uma etapa da reestruturação do parque, um projeto inédito no Nordeste, que visa proporcionar às aves um local mais próximo do seu habitat natural.

O local é composto por um cenário enriquecido com cachoeiras e córregos, onde toda a água utilizada é filtrada e reutilizada, além de uma vegetação nativa dos biomas Mata Atlântica, Caatinga e Manguezal, que ganha harmonia e se completa com o som dos pássaros.

[...]

Durante a inauguração, o secretário do Meio Ambiente, Juliano Matos, destacou que o Zoo é uma prioridade, que deve ser tomada como uma referência de lazer, pesquisa e conservação. “A ideia é fazer do Zoo um parque para a vida animal, onde as visitantes possam interagir com as espécies sem perder o foco do cuidado com os animais”. O secretário enfatizou que o Zoológico de Salvador é uma das poucas opções de lazer gratuitas e que permitem o contato com os animais.

[...]

Outra grande novidade que já pode ser apreciada no Zoo de Salvador é a casa dos 12 felinos que o parque abriga atualmente. Os leões, as onças pintadas e pretas e as sussuaranas vivem hoje numa área com 42% a mais de espaço. As jaulas e as grades foram substituídas por vidro laminado, dando uma linguagem visual moderna, a fim de respeitar os aspectos fisiológicos e comportamentais dos animais.

O secretário Juliano Matos defendeu que as reformas no Zoo vão dar dignidade às espécies, tornando o local um centro de lazer mais atraente. “É possível estudar o comportamento dos felinos, oferecendo um ambiente de qualidade, que permita aquisição de dados técnicos sobre as espécies, a serem aplicados em pesquisas e educação sobre a fauna silvestre”, informou.

[...]

Dizem que a prioridade é a vida dos animais, depois ressaltam o fato de ser um “centro de lazer”, e que os fins das alterações é tornar o centro de lazer melhor… para os humanos! Paradoxal.

Jaulas maiores, não jaulas vazias. Como a esmagadora maioria das ações de caráter bem-estaristas, que não reconhecem que animais tem direitos, mas apenas procuram mitigar os efeitos nocivos os quais o não reconhecimento dos Direitos Animais causam, nos animais, as mudanças cosméticas não visaram os animais realmente. Elas visaram o ser humano, sua consciência abalada e apenas isso. Uma mudança em realmente em prol dos animais, que o governo da Bahia poderia tomar, seria a transformação do zoológico em um  santuário.

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