Opinião Vegana

|

O mundo sob uma ótica vegana.

Arquivo da Categoria ‘Direitos Animais’

O verdadeiro, possível e falso veganismo

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Provavelmente uma das mais incômodas questões que envolvem a prática dos direitos animais é o grau de veracidade que as pessoas ditas veganas tem para com a ideologia que professam. Não trata de um policialismo ideológico, como algumas pessoas colocam. Trata-se da manutenção de um mínimo ético na práxis, que envolve terceiros (os animais).

Há quem diga que seja 100% vegano. Há quem diga que ser 100% vegano é impossível. Há quem acuse o outro de ser um vegano de borracha (aquele vegano que, por desleixo, acaba consumindo produtos antieticos), e também há quem duvide da sinceridade alheia. Picuinha a parte, esse é um problema real para quem é vegano em sociedade, sendo até tema de conversa com não-veganos que conhecem o conceito.

Quanto ao primeiro caso, devemos nos perguntar: o que é ser 100% vegano? O que seria ser um vegano pela metade? Ser vegano, atualmente, é adotar um estilo de vida em que não envolva a utilização de animais. Então, não daria para ser meio vegano. “Explorar os animais pela metade”, ou metade do que um creófilo faria… não, isso não é veganismo. Mas, realmente é possível viver sem meter nenhum animal na berlinda, atualmente no Brasil? Creio que seja impossível. Até o mais antissocial dentre os veganos acabará tendo que beneficiar um especista (por exemplo, indo até o supermercado, ou comprando sementes, ou vendendo hortaliças, ou alguma outra transação comercial com alguém que é declaradamente não-vegano). E aí é que o veganismo, nessa definição hermética e ahistórica, morre.

De fato, ser vegano atualmente no Brasil, não é simplesmente ter esse estilo de vida. É aspirá-lo e mover-se para que ocorra, e um desses movimentos é aproximar-se ao máximo desse modelo ético. Com efeito, todo vegano acaba sendo ativista, até o mais calado e “conformado” de todos eles. Ser ativista é uma exigência do contexto.

Então, ser verdadeiramente vegano, no seu sentido mais puro e abstrato, é tão possível quanto respeitar os Direitos Humanos no capitalismo (ou no socialismo): não é possível, por conta do contexto. Tem-se de aspirar atingir isso, lutar por isso e se aproximar ao máximo do modelo pretendido. Esse é o veganismo possível.

Mas, então o que seria o falso veganismo? Seria o vegano de borracha, aquele desleixado que não procura se informar sobre as coisas, vá de uma boa-fé questionável e acaba contribuindo para o especismo? Ou seria aquele protovegetariano que se diz vegano? Eu realmente não acho que seja nenhum dos dois. O vegano de borracha é vegano, só é desleixado… e o protovegetariano é um mentiroso. O falso veganismo é algo mais complicado que isso, e mais interno. Também justifica alguns tipos de ex-veganos que surgem por aí.

Considero falso vegano aquele vegetariano estrito que não compra produtos testados, nem couro, lã, seda, mel, etc. Isto é, uma pessoa que na prática é vegana (para nossos padrões éticos atuais). Mas pessoa esta que é especista. Um vegano especista é paradoxal, mas é possível em planos diferentes: ser vegano na prática e especista na mentalidade. Isso que considero um falso vegano, tal como o creófilo antiespecista é paradoxal e um falso creófilo… além de outras coisas mais.

Isso pode soar meio inverossímil, porém ao observar o discurso de alguns supostos veganos, dá para encher um balde de especismo. E não digo especismo nas formas mais bobas dele, tal como aquelas velhas e surradas expressões como pé de porco. Estou me referindo a uma visão antropocêntrica de mundo, mesmo.

Liberdade de expressão à moda baiana

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Não estranhe o conteúdo deste post. Liberdade de expressão integra Direitos Humanos, que é uma subdivisão especializada de Direitos Animais. Afinal, Homo sapiens sapiens é um animal.

Hoje presenciei uma imagem um tanto corriqueira, mas assim mesmo não menos chocante do que de fato é. Gostaria de relatar o caso para você, leitor.

Estive num prédio do judiciário baiano, e ao sair do mesmo, vi um senhor, provavelmente da classe E, protestando em voz alta. Ele falava algumas verdades inconvenientes sobre a classe dos advogados, juízes, policias e outros operadores do Direito em geral. Mas, apenas gritava lá na praça em que esse prédio fica em frente. Passei por ele, e fui para o ponto de ônibus pois tinha que ir a outro prédio no mesmo dia.

Não demorou muito até que um agente do estado da Bahia (não irei determinar a qual poder ou órgão do mesmo, pois pouco importa) começou a ir em direção ao protestante. O protestante recuou, mas não se calou. E o agente continuou a segui-lo. Logo, ambos estavam próximos a um carrinho de pipoca, no ponto, quando o protestante recuou virando-se de costas para o agente, que, na oportunidade, o agrediu. Continuou agredindo-lhe até que o protestante correu para o outro lado da rua, deixando cair seus óculos e seu boné. Diante dos dois, o agente destruiu o primeiro e colocou o segundo debaixo de um ônibus, que em seguida passou por cima dele.

O agente do estado da Bahia retornou ao prédio, e o protestante foi tentar recuperar seu boné, logo após o incidente.

Não entrarei no mérito de se o protestante era ou não um vadio, um morto civil (que legalmente não existe, mas de fato existe), um estrangeiro, um criminoso (se fosse, deveria ter sido apenas preso e não agredido). Seu direito de expressar-se foi violado na frente do estado da Bahia, que o agrediu no ato. Será que podemos falar de liberdade de expressão no estado da Bahia? Tenho minhas dúvidas.

Sete hipóteses absurdas comuns

sábado, 7 de agosto de 2010
Editado às 13:00 de 8 de agosto de 2010. No original constava “Oito hipóteses”, o que era falso uma vez que são apenas sete. O erro ocorreu devido a existência de uma oitava hipótese que foi excluída da versão final.

Todo vegano, ou mesmo protovegetariano, já ouviu alguma delas. Elas são as hipóteses absurdas, figuras retóricas que os creófilos usam normalmente de forma recorrente. Em geral, elas necessitam de algum entendimento equivocado sobre direitos animais aliado, muitas vezes, a uma desonestidade intelectual marcante. É uma expressão, de fato, do duplipensar onívoro, falado por Robson Fernando.

Então, salvas para as Hipóteses Absurdas:

1. E as plantas?

Cyn74 CC-BY

A rainha de todas as hipóteses absurdas, e as plantas? é a objeção mais comum aos direitos animais. Todo vegetariano já foi indagado sobre isso. Se não foi, ele não existe ou o é muito recentemente. Muita gente já a rebateu, mas sempre é bom falar sobre essa questão óbvia. O pensamento, em geral, parte da premissa de que toda vida é moralmente relevante, e que mortes são erradas. Portanto, para que sejamos éticos, temos de ser “respiratorianos”. Caso o contrário, matar animais não-humanos sencientes é moralmente correto ou indiferente.

Há uma diversidade de equívocos nesse pensamento: primeiro, poucos veganos pensam que “toda a vida é moralmente relevante”. Algo não é relevante per si, ela é relevante por uma qualidade que a torna valorável. A vida, em si, é moralmente irrelevante. É um fato, um substantivo. Agora, a vida senciente, a vida sapiente, a vida transcedente (se existir) são valoráveis. Veganos senciocêntricos valoram a vida senciente. (O motivo varia, mas em geral está relacionado a faculdade de ter interesses conscientes). Plantas não possuem senciência.

A segunda questão é de que matar é invariavelmente errado. Acabar com a vida de um objeto que é indiferente a ela, isto é, um ser não-senciente, é moralmente indiferente. Isso pois a própria planta não tem interesse em permanecer viva. Já animais possuem.

A partir do esclarecimento dessa ideia, é comum seguir-se com uma outra hipótese absurda.

2. A Vaca Super-Feliz

tercerojista CC-BY

Essa questão só se aplica àqueles que não consomem laticínios.

Argumenta, o lacto/creófilo, que, caso o vegano tenha uma vaca (desconsiderando como é que ele acabou a tendo, podendo ser legado de seu passado especista) seria ético o vegano consumir os laticínios provenientes dessa vaca? Naturalmente, o tratamento dela seria da melhor qualidade possível, uma vez que o vegano é quem a cuidaria.

Sabe-se que, para que a vaca tenha leite, ela tenha que ter cruzado e, portanto, parido um bezerro. Seria ético forçar essa relação sexual? Se é com vegano, ela não foi forçado. Logo foi ético o vegano não ter a castrado? Se houve cruzamento, o vegano pelo menos cuida de um outro macho. De onde veio esse macho? Etc.

A questão, em si, se torna mais complicada do que fazer leite de aveia ou até mesmo aqueles queijos da comunidade Queijo Sem Leite.

Porém, no final das contas, ainda haverá um ponto inaceitável: a vaca é mero instrumento do vegano em adquirir seus laticínios “éticos”. Não, não seria ético.

3. A Carne de Morte Limpa

Lina Waters CC-BY

Muito similar a um problema sério de Direitos Animais, A Questão do Ovo Livre, que divide multidões veganas, essa ainda assim é absurda.

A questão é simples. Vê esse cão na foto? Ele não foi morto para ser consumido, foi acidental. Como vegano, você acha ético o consumir?

A questão não é tão simples quanto a questão da vaca. Depende muito da espécie, do contexto. Mas comer o cadáver, per si, não seria errado. Seria errado causar sofrimento ao grupo que ele pertence, uma vez que alguns animais ficam de luto. Há, contudo, quem discorde de mim. Mas isso são outros 500, e não autoriza 56 bilhões de mortes intencionais ao ano.

4. A ilha deserta

Chi King CC-BY

A clássica situação limite usada como chavão pelos creófilos: você está numa ilha deserta, só tem um animal por perto. Você o mata?

Acho válido mudar “um animal” para a espécie Homo sapiens sapiens. A resposta não muda: tentaria, caso não houvesse outra opção. Quando não há alternativa (e não, sua destruição não é alternativa), não se pode exigir ética.

5. Amamentação

Daniel Lobo CC-BY

Se é contra laticínios, é contra amamentação. Essa hipótese absurda é fruto da ignorância sobre os direitos animais. Nenhum crítico informado e sério deve fazê-lo, a não ser os alfascitas (mas eles não são nem um pouco sérios).

6. A pandemia e o experimento

Esparta Palma CC-BY

Suponha que exista uma pandemia muito grave (algo como AIDs, mas bem pior). Seria ético testar em animais? Não seria, pois você estaria além de infligir danos a alguém que não tem nada ver com a história, está permitindo que haja erro. Se a pandemia é tão grave assim, qualquer desperdício de tempo seria antiético. O mais “ético” seria fazer testes naquele que teve a hipótese da pandemia ou em algum voluntário (que provavelmente irá surgir, pois há muitos querendo ser mártires).

7. Se animais tivessem direitos subjetivos, eles poderão votar

Sheryl CC-BY-ND

Primeiramente, para quem não sabe o que são direitos subjetivos: direito a vida, liberdade, ao voto, etc, são direitos subjetivos. Direito Civil, Direito Penal, etc, são direitos objetivos.

Direito subjetivo, em inglês, é right. Já Direito objetivo é Law. Entendeu?

Então, é um tipo de argumento de ladeira escorregadiça. Um fato irá escorregar até outro, bem absurdo. Por isso, não se pode deixar esse fato acontecer. Alguns juristas entendem que se os animais, para o Direito, deixassem de serem tratados como coisas, semoventes, e sim pessoas, eles teriam direitos anacrónicos, como direito ao voto. Naturalmente, eles estão procurando debochar de seus colegas animalistas. Nenhum abolicionista pediu direito a voto, direito a propriedade, nem nada do tipo, aos animais. Apenas que seus direitos a vida, liberdade, integridade física e psíquica fossem considerados pela juricidade.

A questão humana e o anarquismo

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O símbolo da Veganarquia, de Brian A. Dominick.

O veganismo é uma prática moral que preza pela valorização da subjetividade dos animais não-humanos, evitando assim os abusos inerentes a objetificação dos mesmos. Contudo, tal definição per si seria especista. Por que não incluir nesse discurso a humanidade? Afinal, não existiria diferenças tão relevantes que permitiriam que o ser humano tivesse o ônus de poder ser, para conveniência de outrem, objetificado. Portanto, vejo que um dos maiores problemas teóricos de qualquer concepção que funda o veganismo, é a questão dos seres humanos.

Como exemplo de concepção fundamentadora do veganismo, irei usar a teoria reganiana de Direitos Animais. Logicamente, devido a brevidade deste post, não pretendo nem ouso resumir uma teoria tão extensa quanto a de Tom Regan, mas procurarei fazer o máximo para sintetizar a ideia do filósofo americano no parágrafo a seguir:

O problema do especismo é que os humanos acabam por ver os animais não-humanos como meros meios para atingirem seus fins. Assim, o animal acaba por ser objetificado, sendo tratados como objetos e não como sujeitos-de-uma-vida que são. Por assim serem enxergados pela humanidade, o status moral deles se equivale a de, por exemplo, um relógio ou qualquer outro ente inanimado. Isso conduz a violação sistemática de seus direitos.

Como leitura rápida para compreender a teoria de Regan, recomendo o artigo O caso dos direitos animais. Para uma explicação mais minuciosa, recomendo Jaulas Vazias, do mesmo autor.

Agora, transpondo tal linha de raciocínio para seres humanos, no que daria? Afinal, dentro de diversas relações humanas, outros humanos são encarados meramente como objetos, funcionários (entes que exercem uma função dentro de um sistema) ou números, que possuem como fim serem usados como meio para atingir um objetivo que lhes é estranho. A própria relação trabalhista ilustra muito bem isso: o trabalhador é usado por seu patrão como meio para aumentar seu patrimônio. Essa relação oblitera a subjetividade do ente objetificado, o que permite sua espoliação de forma moral (que, de fato, acontece).

Porém, essa análise carece de duas noções importantes e de grande relevância: enquanto os animais não-humanos, via de regra, são interrogados se consentem serem tratados como meios para fins (fins estes que muitas vezes envolve sua própria aniquilação enquanto ser senciente), o animal humano normalmente é interrogado se o consente (salvo o trabalhador forçado em suas diversas modalidades). O consentimento, então, legitimaria moralmente essa objetificação do animal humano?

Além disso, nas próprias relações de consumo o humano acaba por se tornar um meio: o consumidor é, em geral, para o produtor apenas um meio para seu enriquecimento. Numa visão mais radical, não importa muito que o consumidor é ou não um ser humano, apenas que ele é um número, um bolso, um instrumento para a realização dos interesses do produtor, que é seu próprio enriquecimento. A satisfação do consumidor, então, é meramente acidental.

Ajuntando-se a problemática das relações trabalhistas e, sua semelhante, relações de consumo, pode-se ver que a crítica respinga na legitimidade da organização estatal.

O Estado exerce, por definição, forças coercitivas sobre determinada sociedade. Sua legitimidade, contudo, não é incontestável (apesar de pragmaticamente o ser). Qual é a legitimidade das leis que lhes são impostas sem sua participação em sua elaboração? Ao meu ver, teriam caso houve um deslocamento livre e de sua vontade para o campo de influência normativa desse Estado. Mas, e no caso de você simplesmente nascer lá?

Naturalmente, tais problemas não foram simplesmente deixado de lado. Há quem refletiu acerca deles, antes mesmo do veganismo, encontrando uma diversidade de soluções. Uma dessas soluções foi o endereçamento das três problemática por uma abordagem anárquica, ou seja, anti-coercitiva e libertária. Por sinal, a única escol política vegana é anarquista, o Veganarquismo, que entende que a abolição do especismo faz parte da Revolução Social necessária para a efetivação de um status anárquico. Um lema veganárquico muito difundido é “Libertação Animal e Humana”.

Não é, portanto, a toa que há diversos termos anárquicos e tendências libertárias no Movimento dos Direitos Animais, sobretudo aqui no Brasil. Termos como Ação Direta, Autogestão, a grande fragmentação de organizações, o ativismo independente, etc. Tudo possui uma ligação histórica e conceitual com o anarquismo em suas diversas formulações. Creio que não seja absurdo cogitar dizer que metade dos veganos brasileiros ou são anarquistas ou tendem ao anarquismo e outras formulações libertárias.

Para saber mais sobre anarquismo, recomendo um artigo esclarecedor do blogue do Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região (coletivo este que está engajado com a causa antiespecista) sobre o tema.

Do boicote aos artistas que apresentam em rodeios e às empresas que os patrocinam

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A Minerva patrocina o Rodeio de Barretos. CC-BY Gerardo Lazzari.

Antes de iniciar a discussão, quero deixar claro que quando digo boicote, não estou me referindo a se abster de produtos que diretamente estão relacionados ao especiesmo. Me refiro sim ao boicote aquilo que não tem relação direta ao especismo. Falar de abstinência de produtos relacionados diretamente com o especismo é pleonasmo num post vegano.

Portanto, indo ao que interessa:

Alguns veganos boicotam, por exemplo, algumas marcas de bebidas alcoólicas por patrocinarem rodeios. Outros boicotam artistas que se apresentam nesse tipo de evento. Há quem, inclusive, condene algumas coisas (ex. tabagismo) por não haver opções que não tenham um pé dentro desse tipo de evento.

A lógica para eles é simples: se é pilar de sustentação do especismo, vive dele e logo tem que ser combatido através da não-participação e do boicote.

Creio que esse pensamento seja equivocado. A propósito, normalmente quem faz campanha por esse tipo de boicote é injusto, se não hipócrita. Isso pois raramente essas pessoas não deixam de fazer algumas exceções tácitas. Não vejo campanhas de boicote, nesses termos, dirigidos ao cartão de crédito Visa ou às lojas de departamento Casas Bahia. Ambos patrocinam rodeios.

Outro problema dessa lógica possui uma conclusão que raríssimas vezes vi alguém defendendo (provavelmente por ser impraticável): que nós devemos boicotar os especistas. Exatamente, boicotar todos os especistas! Afinal, todos eles são os pilares do especismo. Sem especistas, não há especismo… (seria essa frase o prólogo de um fascioveganismo?). Obviamente, isso é impossível. Não dá para viver sem especistas… por enquanto.

Agora, explicando o motivo pelo qual entendo que seja um boicote equivocado:

No caso das empresas, o patrocínio possui um conteúdo basicamente financeiro. Não faz parte das atividades delas (quando limita-se a análise apenas do produto o qual você está consumindo, é claro) a prática direta do especismo. Como o fim do boicote é uma representação ou uma efetiva ação contra o especismo, faz tanto sentido boicotar uma patrocinadora de rodeio quanto um advogado creófilo. Não é a mesma coisa que boicotar uma empresa que testa. Vale mais a pena, e faz mais sentido, lutar pela causa abolicionista, por uma educação vegana que possibilite a mudança de paradigma ético-cultural que os Direitos Animais exigem, do que ficar boicotando a Schin por conta disso.

Quanto aos artistas que se apresentam nos eventos, há dois casos: o econômico, que é o mesmo do patrocinadores; e o ideológico. Bandas e artistas especistas, que ganham sua vida propagando a ideologia especista, não merecem ser boicotados por apresentarem num paraíso especista. Esses devem ser boicotados por serem propagadores da ideologia especista, simplesmente por isso.

Querido blogue…

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Querido blogue,

Recentemente, algo muito curioso aconteceu comigo.

Fui almoçar, encontrei um conhecido, que encontrou outro conhecido. Esse meu conhecido me apresentou como vegano, eu disse “oi” e fui comer minha comida (que estava muito boa, por sinal). Logo depois disso, esse conhecido do meu conhecido (que simplesmente chamarei de “ele” para o restante do artigo) confessou algo: deixou de ser protovegetariano. No final das contas, ele descobriu que dá para ser saudável comendo peixe, de vez em quando.

Como ele nunca deu a mínima para os animais, pois é natural que os mate, visto que eles matam uns aos outros. Meu conhecido o rebateu argumentando que se fosse assim, homicídio, estupro, infanticídio (contribuição minha), por ser natural.

Depois ele começou a criticar os vegetarianos por se acharem bons, etc, etc.

No final, os dois entraram num consenso baseado na espiritualidade oriental.

Att.

Samory Santos.

Assim, eu queria compartilhar isso com vocês para apontar alguns problemas que podem ter causado a indignação prévia (pois, aparentemente, ele estava me criticando por associação).

Primeiramente, vemos a questão da saúde: “Seja vegano por você.”

Quem não estudou um pouco mais sobre, por exemplo, taxas de mortalidade de populações vegetarianas e creófilas pode ficar simplesmente colocando veganismo como uma panaceia para os problemas de saúde da contemporaneidade. Não é bem assim. Populações que se alimentam de peixe tendem a ser mais saudáveis do que veganos e outros creófilos. O apelo pela saúde pode funcionar com pessoas que se importam muito com sua saúde, mas não a todos. Prova disso é o tabagismo. Quem não sabe que fumo causa n doenças? Outro exemplo é o sedentarismo. Agora, não entrarei no debate que não buscar pela saúde eticamente viável seja uma obrigação moral do indivíduo para consigo mesmo (um pensamento que eu discordo). Porém, devo confessar que é um tipo de apelo egoísta que não serve de nada para os animais.

A segunda questão é da bondade: “Veganos são bons.”

Eu nunca vi alguém ostentar essa ideia. Talvez seja confusão do próprio argumento ético. que pode ser entendido nesse temo: quem explora os animais é ruim, logo quem não os explora é bom. É um equívoco. Quem não explora os animais não é bom. É indiferente. Mas quem os explora é “ruim”. Ser “bom” é fazer coisas boas, não deixar de fazer coisas ruins.

A terceira questão que vi nesse discurso é o naturismo: “O natural é bom!”

Esse é um argumento velho, surrado, usado para qualquer coisa que você puder imaginar. Homossexuais eram condenados moralmente por agirem contra a natureza. Isto é, o que não é natural é imoral. Esse discurso, se realmente fosse usado de forma sincera, iria inviabilizar a civilização (e a quem o faça), pois a civilização é antinatural. Contudo, o ponto fraco desse discurso é simples: o que natureza tem a ver com moralidade? Não tem nenhuma ligação.

E a quarta, e última, questão é a de agir como terceiros agiriam, e não como você mesmo agiria: “Faço como eles fazem entre si.”

Obviamente, tenho que distinguir em grupos artificias os humanos e os não-humanos, e homogeneizá-los para que isso faça sentido. A lógica é a seguinte: eu mato pois eles matam entre si. Problema desse discurso é que não faz o menor sentido (então vou mutilar as genitálias dos somalianos pois eles mutilam um dos outros?) e, pior, atinge quem não tem nada ver. Se fosse para justificar a matança de animais carnívoros e onívoros, teria uma lógica interna, mas quando se expande para os animais herbívoros (ovinos, galináceos, os mais cobiçados), qual é a lógica interna? O simples fato deles serem membros do grupo amorfo e abstrato chamado “animais”? Não, eles não matam outros de seus semelhantes para comerem.

Da morte intencional e da morte acidental

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Esquimó groenlandes em 1854, por Edward Augustus Inglefield.

Algo que muitos creófilos insistem em não querer tomar em consideração, ao partir para o alfascismo, é a distinção entre a morte intencional e a morte acidental a nível moral. Isto é, se houve intenção de matar ou não. No caso de instituições, se é inerente a sua atividade a matança (isto é, se a matança é o fim da atividade ou se ela é meio para este).

No caso dos Direitos Animais, há uma relevância distintiva de quando se mata com intenção e de quando a intenção não se encontra presente. A morte não intencional (acidental) é escusável, a intencional não o é. O mesmo ocorre quando não existe escolha, a exemplo dos esquimós, dos tutores de animais carnívoros em lugares onde não haja ração vegana para estes. Quando se mata sem escolha, apesar de haver intenção, não se pode pedir comportamento diferente deste.

Essa distinção é importante ao analisar o contra-argumento creófilo (muitas vezes alfascistas) de tudo ou nada. Isto é, se você não poupa a vida de todos os animais que teoricamente você poderia, você é um hipócrita. É verdade que, na vida, é impossível não cometer algum dano desnecessário a outro ser senciente. A própria existência implica em diversos danos a outros seres sencientes, tanto positivamente quanto negativamente. Porém, apenas danos que se comete com intenção, e sem a possibilidade de escolha, podem ser consideradas imorais. Naturalmente, o vegano que não distingue esses dois casos é hipócrita. Contudo, aquele que reconhece essa distinção não tem como ser considerado um “hipócrita”. Ele pode também simplesmente não ser vegano, mas não um hipócrita. (Nesses termos, uma hipocrisia implicaria na não correspondência com o termo que designa).

Contudo, antes que alguém venha com uma conclusão que supostamente está de acordo com esse meu posicionamento, que permita a creofilia, contra-argumentarei previamente: quando se tem conhecimento de que algo causa dano, podendo haver escolha, participar nela de alguma forma que justifique sua existência ou a continuidade desse dano é imoral. Podendo alguém escolher, denota a aprovação  e aí é que reside a imoralidade do ato.

O mesmo se aplica a caso dos Direitos Humanos. Você tomando conhecimento que empresa X, que produz artigo Y, pratica trabalho escravo, podendo optar pela empresa Z que produz o mesmo artigo, e não fazendo isso, acaba por ser imoral (e mesmo hipócrita, caso você reconheça a imoralidade do trabalho escravo). Mas, se a morte de pessoas acaba por acontecer em algo, por fato alheio a sua vontade e de que não é parte inerente, não há imoralidade. Exemplo disso é o sistema viário, que leva muitas pessoas à morte, mas que ninguém deixa de usá-lo ou chamar outro de hipócrita por usá-lo.

O paradigma antropocêntrico e a indignação

terça-feira, 18 de maio de 2010

Protesto contra a absolvição em tribunal de Madrid. CC-BY-NC Jaume d'Urgell.

Quem não se sente indignado ao ficar sabendo da morte violenta de um animal humano? Okay, provavelmente não muitos diante da nossa já atual banalização da violência, mas quem não acredita ser a coisa mais imoral a ser feita (a não ser aqueles que executam o ato em si)? Creio que a maioria de nós acha que a morte de um animal humano seja algo estupidamente grave. Há quem defenda que quem faça isso deva ter sua existência também extinta (pena de morte).

Naturalmente, a maioria dos especistas acha moralmente aceitável a maioria das modalidades mortes que eles promovem aos animais. Eu já cansei de escrever isso aqui, e acredito que qualquer vegano esteja cansado de saber desse fato. Só quem vive na Veganolândia pode dar ao luxo de achar que isso não é um fato… e bem, Veganolândia não existe.

Mas agora, quero por em dúvida alguns atos e pensamentos que veganos conduzem que vai meio contra a própria ideia antiespecista. Não me deixarei fugir do contexto, mas vou abstrai-lo inicialmente.

Os antiespecistas acham um absurdo a matança de animais, não tenho dúvida. Mas acharíamos tão absurdo quanto a matança de humanos? E se assim não for, sob a justificativa da semelhança (argumento que é utilizado pelos especistas), haveria implicações da indignação ser maior quando o ser obliterado em questão é de sua própria etnia, nação, gênero, classe social, profissião ou outro grupo em que haja identidade consigo?

Espero que não.

Porém, a implicação de uma negativa iria ir de encontro com o especismo. Isso é especismo, simplesmente.

Agora, dentro de nosso contexto social, não podemos demonstrar nossa indignação com a mesma facilidade a qual podemos fazer quando se trata de vítimas humanas. É completamente aceitável em nossa sociedade demonstrar repulsa por quem mandou matar algum humano, mas a própria reprovação do equivalente quando se trata de animais não-humanos é um gerador de repulsa.

É nesse contexto que surge o papo-de-creófilo de que veganismo é uma opção moralmente igual a creofilia, e assim não há de se haver desrespeito. Obviamente não é o caso, não são moralmente equivalentes. A creofilia não é digna de respeito (veja bem, eu não falei que o os creófilos não sejam, mas a creofilia per si), nem outras coisas que são moralmente repreensíveis ao extremo (a exemplo do senciocídio).

O paradigma antropocêntrico naturalmente tolhe a liberdade social dos veganos demonstraram sua indignação. Até mesmo a exposição da nossa existência pode ser considerada como uma afronta a esse modelo moral torpe, contra o núcleo dele que consiste no biocentrismo antropocêntrico. Naturalmente, cabe a nós lutarmos contra esse paradigma especista. Pelo menos, em nome de nossa liberdade de expressão social (sobretudo frente as forças mais especistas que se encontram nos discursos reacionários da população em geral).

Seria veganismo uma religião?

segunda-feira, 3 de maio de 2010
Jesus Cristo

CC-BY-SA Toby Hudson

Algo que talvez seja tão comum quanto “e a plantas?” e “de onde você tira suas proteínas?” é dar a entender que veganismo, Direitos Animais e tudo mais não passam de religião ou uma seita (pois quão mais pejorativo, melhor). Bem, como coloquei no artigo O que é veganismo, veganismo é um modo de vida embasado nos Direitos Animais. Portanto, não existe fé vegana, não existe explicações metafísicas veganas, nenhum elemento religioso vegano. Apenas existe Ética Animal e fim. E religião não é feita somente de ética. Se assim fosse, todos seriam religiosos, e não é o caso.

Mas então, o que realmente aqueles que chamam Veganismo e associados de religião querem dizer (quando estão utilizando de licença poética): que veganismo é dogmático, possui um cânone, que possui instituições, etc. Exemplo de “dogma vegano” seria a concordância entre os veganos de que animais não-humanos têm direito à vida e à liberdade. Exemplo de “cânone vegano” seria Libertação Animal ou Jaulas Vazias. E instituição vegana seria, pode rir, o PETA. Obviamente, nossos veganiques seriam analogicamente os cultos (a quem?) e tudo mais.

Não posso negar que haja veganos dogmáticos, pois existem.

Porém, esse papo todo, de que veganismo, vegetarianismo (!), Direitos Animais, etc, é religião, não passa de uma grande bobagem.

Não existe dogma, cânone, instituição nem nada disso. Veganismo não é religião, nunca foi e dificilmente se tornará (precisa de tantos elementos para virar uma que é mais fácil criar uma religião vegana do que transformar o conceito).

O que é Veganismo?

terça-feira, 6 de abril de 2010

Uma filosofia? Uma religião? Um estilo de vida? Um clube social? Uma seita? Um time esportivo?

Pinchação "Vegen"

Pinchação "Vegen": "Seja um vegen. Ame e reze." CC-BY-ND Mr. T in DC

Essa é uma pergunta bem comum, normalmente respondida com o que um vegano faz (ou não faz): participar ativamente da exploração de animais caso seja evitável, ou seja, não consumir carne, leite, ovos, mel, carmim, peles de animais (isso inclui couro), produtos testados em animais, etc. Mas, afinal, o quê realmente é o Veganismo?

Diz Gary Francione:

O veganismo não é uma mera questão de dieta; é um compromisso moral e político com a abolição, no nível individual, e não se estende só à comida, mas também à roupa, a outros produtos, e a outras ações e escolhas pessoais. [...] se “direitos animais” tiver algum significado, é o de que não podemos justificar o consumo de carnes (incluindo pescado), laticínios, ovos e outros produtos de origem animal.

Já o autor de Vegan.com.br coloca:

No entanto, veganismo não é somente uma dieta; é um modo de vida. A pessoa que se diz vegan pretende reduzir ao máximo a exploração animal em sua vida e, não somente adota uma dieta vegetariana estrita, mas também boicota empresas que testam em animais, não utiliza roupas de origem animal, não frequenta circos, rodeios etc.

Robson Fernando nos trouxe um texto de autoria desconhecida que vai no mesmo ritmo:

Veganismo é a aplicação da teoria dos direitos animais à nossa vida. Ou seja, é o modo de vida de quem reconhece que os animais não-humanos possuem o direito moral de não serem considerados propriedade dos humanos.

O madrilenho Luis Tovar, em seu blogue, coloca seu ponto de vista nesses termos:

[...] Ser vegano signfica comprender que todos los animales tenemos el mismo derecho a la vida, y merecemos un respeto igual por ello. [...]

[...]

Ser vegano es proponer un estilo de vida libre de cualquier tipo de explotación animal. [...] El veganismo es una forma de vivir que exige respeto a todos los animales sin discriminación de especie. [...]

O nutricionista vegano Eduardo Fraccarolli Buriola respondeu à pergunta da seguinte forma:

A palavra Vegano (usada pela primeira vez em 1940 na Inglaterra – Vegan) é uma variação da palavra Vegetariano, que no enfoque nutricional significa a pessoa que não consome nenhum alimento de origem animal em sua alimentação, ou seja, seus habitos alimentares são baseados 100% em produtos de origem vegetal.

Por falar nessa referência histórica, a primeira edição da revista Vegan News explica o termo:

We should all consider carefully what our Group, and our magazine, and ourselves, shall be called. ‘Non-dairy’ has become established as a generally understood colloquialism, but like ‘non-lacto’ it is too negative. Moreover it does not imply that we are opposed to the use of eggs as food. [...] As this first issue of our periodical had to be named, I have used the title “The Vegan News”. Should we adopt this, our diet will soon become known as a VEGAN diet, and we should aspire to the rank of VEGANS. Members’ suggestions will be welcomed. [...]

[...]

The object of our Group is to state a case for a reform that we think is moral, safe and logical. In doing so we shall, of course, say strongly why we condemn the use of dairy produce and eggs. In return we shall expect to be criticised. [...]

Em português, tradução minha:

Nós todos temos que levar em consideração o nome o qual nosso grupo, de nossa revista e de nós mesmos, deverá ser chamados. “Sem-laticínios” se tornou conhecido como um coloquialismo geral entendido, mas como “não-lacto”, é muito negativo. Nem mesmo implica que somos contra o uso de ovos como comida. [...] a primeira edição de nosso periódico tinha que receber um nome, eu resolvi dar o nome de “As Notícias Veganas”. Caso nós adotemos esse termo, nossa dieta logo será conhecida como dieta VEGANA, e nós poderemos aspirar às fileiras VEGANAS. Sugestões dos membros serão bem-vindas. [...]

O objetivo do nosso grupo é mostrar a necessidade de uma reforma que nós cremos ser moral, seguro e lógico. Ao fazer isso, nós devemos, é claro, afirmar fortemente o motivo o qual nós condenamos o uso de ovos e de laticínios. Em resposta, esperamos sermos criticados. [...]

Obviamente, isso tudo quem disse foram veganos (excetuando o autor do artigo primogênito, pois o entendimento de veganismo da época era mais precária do que a da atualidade). Vejamos como os creófilos, especificamente a grande mídia brasileira, nos explica:

A Globo, através do Extra, noticiando uma palestra do Bruno Müller:

Você sabe o que Gwyneth Paltrow, Drew Barrymore, Paul McCartney, Prince, Martina Navratilova e Xuxa têm em comum? Além de famosos, todos são adeptos do veganismo, cujos seguidores não comem nada que seja derivado de animais. O movimento também propõe alternativas para acabar com a matança de bichos para serem transformados em alimentos ou outros tipos de produto, além de ser contra a utilização de animais em laboratório e em circos.

[Não, não me perguntem se a Xuxa realmente é vegana...]

A mesma rede de comunicação, através de um infame artigo na Época assim afirma:

A opção mais radical de vegetarianismo é o veganismo, uma filosofia que vem crescendo em todo o mundo e que proíbe seus seguidores de comer e usar qualquer produto de origem animal.

[Não falei que era infame? Opção que proíbe é nova.]

A Folha Online, repetindo a BBC:

Uma pesquisa de um instituto sueco sugere que as pessoas que sofrem de artrite reumatóide podem reduzir o risco de ataques cardíacos e derrames se seguirem uma dieta vegan –nome dado à dieta vegetariana radical, em que não há consumo de carne, leite e seus derivados– e sem glúten.

Como pode-se ler, as definições são bem similares. Basicamente todos, exceto as fontes creófilas ou específicas na questão nutricional, apontam o veganismo como algo que vai além em não ingerir animais e seus derivados. Porém, a questão toda fica nessa variação: veganismo é um modo/estilo/forma de vida/viver, é uma filosofia ou ambos?

Vejamos então o que é “Filosofia”, no seu sentido mais amplo:

Para o professor Dr. Delamar José Volpato Dutra da UFSC, “A Filosofia é um ramo do conhecimento [...]“.

Segundo a Wikipédia lusófona, “Filosofia (do grego ?????????: philos – que ama + sophia – sabedoria, « que ama a sabedoria ») é a investigação crítica e racional dos princípios fundamentais relacionados ao mundo e ao homem.”

Já, estilo de vida é definida de tal forma:

A Wikipédia lusófona, em verbete, coloca que “Estilo de vida é a forma pela qual uma pessoa ou um grupo de pessoas vivenciam o mundo e, em consequência, se comportam e fazem escolhas.”

Sua versão anglófona define dessa forma: “Lifestyle is a term to describe the way a person lives [...]” (Estilo de vida é um termo usado para descrever a forma a qual uma pessoa vive [...], tradução minha.)

Levando em consideração essas definições, facilmente podemos ver que veganismo não é filosofia. Veganismo está vinculado, imperativo ético, aos Direitos Animais e a Ética Animal em sua formulação abolicionista ou libertacionista. Mas não se confunde com a filosofia que o fundamenta. Veganismo, contudo, é sim um estilo, uma forma, um modo de vida e de viver.

Assim, minha definição de veganismo se dá nesses termos:

Veganismo é um estilo de vida, que consiste na não-participação das violações dos Direitos Animais, entendendo esses direitos como o direito à vida, à liberdade, à integridade física e a não ser tratado como propriedade. Os animais em questão são apenas aqueles que são sencientes.

Switch to our mobile site