Opinião Vegana

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O mundo sob uma ótica vegana.

Arquivo da Categoria ‘Artes’

(Poema) Dois veganos e a pena de morte, num país vegano

sábado, 17 de abril de 2010

CC-BY-NC Matthew Lee High

CIDADÃO

Tem que matar!
Matar e torturar,
até o último que
restar em nosso
país de cidadão
e cidadã de bem.

Gente como essa
não merece nada,
não mudam nem,
são incorrigíveis.

Dura lex, sed lex.
Para eles nada, pois
para suas vítimas
só desprezo houve.

CIDADÃ

Mas, meu compatriota,
veja bem para nós,
fruto de uma sociedade
criminosa e insana,

agora sabemos como
respeitar aqueles que
tem de ser respeitados
por serem quem são.

CIDADÃO

Naqueles tempos tristes,
eles eram objeto, coisas,
que só para poucos
cabiam-lhes o mínimo
do respeito de não fazer
o maior mal imaginado.

Hoje somos quem dita
a lei em nosso terra, não
os assassinos e estupradores.
Há de defendê-los, irmã?

CIDADÃ

Não os defendo mais
que aos meus e aos seus
próprios antepassados e
aos seus próprios. Fora
nossos irmãos de além.

CIDADÃO

Então?
Diz que eles têm solução,
e que essa sua solução não
é o fio da faca enferrujada
ou o prino da pistola cromada
no sangue do abate?

Fale do traficante de corpos,
como Bruninho da Lagoa,
além dos açougueiros
profissionais que rondam
as favelas e os bairros nobres
de nossas cidades.

Não, não são recuperáveis.
Merecem a morte, mais cruel que
a que dispensaram a suas vítimas.

CIDADÃ

E essa morte trará
as vítimas de volta
para seus corpos digeridos?

CIDADÃO

Mas justiça será feita.

CIDADÃ

E mais sangue
será derramado
e mais carne será
perfurada e retalhada.

CIDADÃO

Para molhar quem o suga
e saciar a fome de quem
tem tanta ânsia por ela.

CIDADÃ

Como se adiantar isso iria.

CIDADÃO

Pelo menos sentiria
que algo está sendo
feito para acabar
com a delinquência.

O medo de se igualar
às vítimas de suas
mãos irá paralisar
os possíveis autores
dos crimes mais odiosos
que é o biocídio, contra
uma vida indefesa.

Piadas veganas

segunda-feira, 29 de março de 2010

Traduzidas, selecionadas e adaptadas destas.

Observação: não sou comediante :P .

  • Quantos veganos são necessários para trocar uma lâmpada?

1. Eu não sei, mas de onde vem a proteína deles?!

2. Dois. Um para trocar a lâmpada e outro para ver o rótulo.

3. Cinco. Um para trocar a lâmpada e outros quatro para ficarem criticando. (Na comunidade Veganismo).

  • Quantos creófilos são necessários para trocar uma lâmpada?

Eles não trocam lâmpadas, pois preferem ficar na escuridão.

  • Quantos vivissecionistas são necessários para trocar uma lâmpada?

Nenhum, eles não querem ver o que estão fazendo.

  • Por que queijo vegano é tão ruim?

Porque não foi testado em ratos.

  • Como se chama um vegano militante?

Intolerante a lactose.

  • Qual é a melhor forma de manter o leite fresco?

Deixando na vaca.

  • Creófilo: Você soube do último estudo que afirma que veganos possuem maior disposição a terem problemas de vista? Creio que seja porque não conseguem as proteínas necessárias…

Vegano: Qui… é porque temos que ler aqueles rótulos de letras minúsculas mesmo!

  • Eu sigo uma dieta estritamente vegana, só como vegans.

Mini-Resenha: Manifesto pelos Direitos dos Animais

sábado, 13 de fevereiro de 2010
Manifesto pelos Direitos dos Animais

Manifesto pelos Direitos dos Animais

Manifesto pelos Direitos dos Animais, de Rafaella Chuahy é aquele tipo de livro que engana pelo título.

Primeiro, engana ao não ser exatamente um manifesto e, segundo, por não ser pelos Direitos dos Animais.

Acho difícil considerar um documento que não trata de conceitos e intensões (como deveria ser um manifesto) de forma própria, imperativa, como um manifesto. O Manifesto pelos Direitos dos Animais trata mais de resumir a teoria dos Direitos Animais e do Bem-Estarismo Animal, a realidade dos animais e apontar alternativas para amenizar a situação nefasta em que os animais se encontram atualmente.

A autora faz um bom trabalho, apesar de tratar de forma superficial Gary Francione e Tom Regan, na exposição sobre as teorias de bem-estar e direitos animais. Porém ela não vai além, ela não se propõe a mostrar uma teoria própria, ela se resume aos clássicos e nisso vejo um problema que atinge muito a literatura dos Direitos Animais, sobretudo aqui no Brasil: a falta de inovação.

Fora isso, ela teve o mérito de fazer uma extensa e atualizada pesquisa sobre as condições precárias as quais os animais se encontram atualmente. Contudo, nessa exposição ela chega ao ponto de ser bem-estarista. Colocando como se fosse uma grande coisa, para os Direitos dos Animais, o cuidado do consumidor com animais em determinadas situações. Exemplo disso é a dica para consumidores de produtos animais ornamentais, colocando que não se deve comprar produtos animais contrabandeados, como se os não-contrabandeados não fossem imorais.

A lista desses problemas é longa, o que coloca em dúvida, na minha leitura, de quais Direitos Animais ela está falando.

Por fim, ela claramente mescla ambientalismo, ou pelo menos ética ambiental, com ética animal. Eu sei que os dois podem ser conectados, mas Direitos Animais não necessariamente está vinculado ao ambientalismo. Direitos Animais trata de uma relação unilateral para com os indivíduos de outras espécies, nada de preservacionismo e afins. Mesclá-los só poderia fazer sentido caso fosse um Manifesto pelo Direito Ambiental, que não é a proposta aparente dessa obra. Assim, creio que essa abordagem por parte da autora não fez sentido no assunto que ela tratava, ainda mais com a presunção de se criar um manifesto.

O Caso Metallica

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Antecipadamente, digo logo que não gosto do Metallica. A banda não faz meu gosto musical.

A vinda da famosa banda de metal às terras tupiniquins tem suscitado uma série de discussões na mídia de Direitos Animais. Como alguns devem saber, o guitarrista da banda é vegetariano. Ele também supostamente é criador de cavalos, o que coloca as especulações dele ser vegano abaixo.

Mas não é bem isso que vem alimentado o debate a redor do Metallica. Quem está em pauta é o vocalista da banda, James Hetfield. Lilian Garrafa da Agência de Notícias de Direitos Animais escreveu sobre Hetfield:

Seu histórico de assassinatos é antigo. Em 2001, o vocalista fez uma expedição de duas semanas para caçar ursos na Sibéria. Durante esse período, em que se dedicou integralmente à atrocidade, sequer foi capaz de retornar para passar o aniversário junto de seu filho. O DVD Some Kind of Monster exibe cenas do que o artista categoriza como “hobby”

E não para por aí. Por onde quer que passe, Hetfield sempre procura meios de dar seus tiros, executando, de modo totalmente injustificável, seres indefesos que têm a infelicidade de cruzar seu caminho. A foto a seguir foi tirada durante uma caçada na Patagônia, Argentina.

Ela termina seu artigo afirmando que

Enquanto a barbárie praticada por Hetfield não for censurada e punida legalmente, o mínimo que se pode fazer é boicotar os shows da banda. É o meio de manifestar que seus fãs, apesar de curtirem o som da banda, não concordam, não apoiam as atitudes de seu vocalista e, sobretudo, têm consciência de que pagando para assistir a um show ou comprando um CD ou DVD, estarão patrocinando a atitude cruel de Hetfield. Passou da hora de demonstrarmos o descontentamento com o que nos é imposto.

O instrumento do boicote é extremamente importante para a consolidação dos Direitos Animais de forma não-violenta, um instrumento que não se deve deixar de usar quando for possível. Mas creio que esse não seja necessariamente o caso.

Vejamos: queremos abster-nos de financiar a atividade antiética, a caça, de Hetfield, ao boicotarmos a banda o qual ele integra. Essa caça é antiética no momento em que ela viola o direito a vida aos animais sencientes que são alvejados de forma covarde pelo vocalista, e uma forma dele parar de fazer isso é não apreciar, monetariamente, o trabalho dele.

A partir de um raciocínio desse tipo, o que me aparenta ser o demonstrado pelos defensores do boicote, podemos estender aos creófilos em geral. Afinal, os creófilos pagam para que matem animais sencientes de forma covarde por pessoas pagas para fazerem isso.

Devemos, então boicotar todos os profissionais creófilos? E mais, todas as empresas que de alguma forma estejam vinculados ao desrespeito dos Direitos Animais [empresas essas que, por exemplo, têm um produto de origem animal.

Se levarmos a coisa nessa lógica, o boicote será impraticável.

Porém, analisemos então o que está em jogo no show. Estaríamos pagando pelo quê? Para quê James cace?

Não.

Não pagaríamos o ingresso para que James cace. É uma questão teleológica. O dinheiro o qual transferiríamos para James não foi por causa da magnífica temporada de caça que ele teve. Mas sim pelo espetáculo musical do conjunto. O trabalho deles é esse: tocar. E estaríamos pagando pelo trabalho deles.

Já a forma a qual eles usaram esse dinheiro está fora de nosso controle.

O mesmo é aplicável a qualquer tipo de trabalhador. Ele pode usar o seu dinheiro para comprar tofu ou para comprar bacon. A liberdade dele, dentro de nossa sociedade especista, o permite fazer isso. James provavelmente deve caçar legalmente, se não o faz, a sua atividade já é ilegal, além de antiético.

Enfim, a mensagem que temos que passar é que sim, repudiamos James. Repudiamos a creofilia e tudo o quê o sistemático institucionalizado desrespeito aos Direitos Animais é. Não só a caça esportiva, ou melhor: a caça sádica. Mas sim todas essas aberrações.

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