Opinião Vegana

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O mundo sob uma ótica vegana.

Arquivo de fevereiro, 2012

“Pode conter traços de leite”

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Ricardo Pichler CC-BY-NC-ND

A questão dos produtos que possuem, em seus rótulos, o aviso “Pode conter traços de leite”, e suas variações, sempre foi um caso controvertido entre os veganos. A maioria simplesmente consome esses produtos, mas há aqueles que são taxativos: “se pode ter leite, não consumo!” Para aqueles que consomem, esse aviso apenas serviria para os alérgicos, não havendo a necessidade de tamanho francionismo. Contudo, há pouca pesquisa real sobre esses rótulos para justificar esse pensamento.

As autoridade, nem a ANVISA, nem o Ministério da Saúde, não fazem nenhuma menção aos “traços de leite”; não existe lei disciplinando o assunto (ao contrário do glúten), só restando um projeto de lei. A conclusão de que esses termos são usados, de forma uniforme na indústria, para salvaguardarem-se contra possíveis problemas com os alérgicos não passa de especulação. Uma especulação com uma dose de bom senso [1], mas ainda uma especulação.

O oráculo contemporâneo nos revela a repetição de um pensamento, que não sabemos a origem nem procuramos sabê-la. Dos dez primeiros indicados, o primeiro afirma:

Os traços de leite são, na maioria das vezes, uma “contaminação” do produto, que passou por uma máquina onde foram fabricados produtos com leite ou derivados. Assim, eles acabam adquirindo quantidades mínimas desses ingredientes durante a fabricação. – Luciane Baldo.

(Reproduzido por ViSta-se e vegetarianismo.com.br.)

Continua-se repetindo o mesmo argumento:

Para as pessoas alergicas à alimentos existe um termo chamado Traços.
Traços é quando durante a preparação de um alimento ele é “contaminado” com pequenas partes de outro.” – Anne Summers.

Veja-se, pois, que não há menção sobre a referência testemunhal, documental ou oficial fundamentadora destes pensamentos. Ou estão nos ocultando esses dados cruciais ou simplesmente não passa de repetições (ou criação) de especulações.

O último site que consultamos é o Viva Veg Já, que possui como base um texto do orkut apógrafo – confessando que sequer procurou averiguar a veracidade da informação.

Apesar da flagrante ignorância real sobre a natureza dos “traços de leite”, não é lúcida a posição daqueles que afirmam: “Há leite, logo não como!”; isto pois não tange a questão, que é o especismo, a relação de dominação entre os seres humanos e os outros animais (no caso, bovinos). O que realmente está em questão não é se há este ou aquele derivado de animal, mas se se foi necessário o uso (incluso o extermínio) de animais para alcançar a feitura daquele produto.

Concluindo, não é possível afirmar, com a devida segurança, que “traços de leite” seja um fato acidental. A nebulosidade regulamentar exige uma atitude mais cautelosa, impondo uma pesquisa mais competente por parte daqueles que possuem melhor acesso à indústria alimentícia para solucionar a questão de forma apropriada.

 

[1] O bom senso nesse pensamento reside em normas do Código de Defesa do Consumidor, que dispõe que o consumidor deve ter sua saúde zelada (art. 4º, caput; art. 6º, I)  e que lhe deve ser fornecido informações precisas (“pode conter”, ao meu ver, não é nada preciso) sobre seus produtos (art. 31).

Obs.: se alguém tiver informações confiáveis que me contradigam, por favor, me avise nos comentários; sim, voltei mais cedo do que planejado.

Aviso aos leitores

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Caros leitores,

Minha vida tem requisitado mais atenção, deixando-me menos ligado a este projeto. Não irei abandonar este blogue, porém não prometo trazer artigos novos em breve. :)

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