Opinião Vegana

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O mundo sob uma ótica vegana.

“Mas você gosta dos animalzinhos!”

11 de julho de 2010 às 11:31

Uma amante de animais. BY-NC-SA Hop-Frog.

Há algo no pensamento especista comum que acho peculiar, e até mesmo uma barreira para a causa: o pensamento de que ter uma afeição para com os animais não-humanos é pré-requisito para adotar-se uma postura anti-especista.

Naturalmente, o especista que crê nisso acredita não ser sua obrigação moral adotar uma postura anti-especista. É mera questão de gosto, de afinidade, sendo uma obrigação moral apenas para os tais amantes de animais, os protetores de animais, etc. Qualquer discurso que não trate sobre essa questão será interpretado como não dirigido a ele, mas sim aos famosos amantes de animais “hipócritas”.

Mas, afinal, quantos anti-especistas foram categorizados como amantes de animais somente por não os danar? Acredito que todos eles já foram, não só pelos especistas mas também por alguns anti-especistas que realmente amam os animais. Eu particularmente sou assim categorizado regularmente, provavelmente pelo menos duas vezes por mês.

Então, qual seria o pensamento atrás desse equívoco de tanta gente?

Creio que seja a ideologia da “Ética do Afeto”. Ética do Afeto, seria, nesse contexto, a ideia de que a moralidade se fundamenta nos laços de afeição entre os sujeitos morais. Em outras palavras: há obrigação de se adotar um atitude ética apenas para com aqueles com quem se tem afeição. Aos outros não há essa obrigação, podendo fazer-se o que quiser sem ser injusto. Afinal, a medida de justiça apenas existe para com os afetos. Há, também, quem diga que a boa ação aos outros é apenas um lucro, não havendo ônus para aquele que causa dano.

Uma boa representação dessa ideologia é a hierarquia moral que algumas pessoas criam, em que elas próprias são o topo da pirâmide e as plantas, animais “de criação” e matéria insensível é a base. Pode variar. Por exemplo, se for um nacionalista, a nação talvez seja o topo da pirâmide. Contudo, a ideia é praticamente a mesma.

Esse pensamento pode ser “justo” em casos extremos, como a alegoria da ilha deserta (“Se você tivesse sozinho numa ilha deserta com X, você mataria e comeria X? Se essa fosse sua única opção para sobreviver?”). Porém, para a situação normal, em que há opções mais justas em uma ótica de uma Ética do Respeito, não é justo de forma alguma fundamentar sua moral na afeição que tem por outrem.

Na teoria, esse pensamento possuiria resultados temíveis: se um especista padrão é indiferente aos animais não-humanos e os obliteram indiretamente, mas conscientemente regularmente, qual seria a previsão de seu comportamento diante de um inimigo? Algumas soluções são a “reserva de afeição” (“Até o pior inimigo humano é afetivamente superior ao mais querido não-humano domesticado.”) e outras tantas soluções demasiadamente especistas que acabam por ainda não solucionar o problema.

Eu não simpatizo de forma alguma com essa linha de raciocínio que, digo mais uma vez, me parece equivocada. Uma ética tem de ser fundamentada na alteridade, no respeito e na consequência de suas ações. Mas isso é assunto para outro post.

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