Opinião Vegana

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O mundo sob uma ótica vegana.

Arquivo de fevereiro, 2010

Dos creófilos e de nossa relação para com eles

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Vou falar de um assunto um tanto complexo, pois ele é ao mesmo tempo polêmico e angustiante.

Nós estamos numa sociedade creófila, em que o especismo é a verdade inabalável da maioria dos creófilos que aqui habitam e convivem conosco. É inegável nosso papel transformador nesse mundo nada agradável para os animais não-humanos. Porém, nossa relação com os creófilos tende a ser mais mansa do que seria com pessoas que fazem a mesma coisa que eles fazem, ou menos pior, com humanos. Isso é especista de nossa parte.

Enquanto nós falamos calmamente e tranquilamente com um creófilo-padrão, aquele tipo de creófilo que encontramos nas esquinas de nossas cidades, que não tem o trabalho de assassinar o próprio animal para usar sua carcaça como alimento, nós ficamos receosos de falar com assassinos de seres humanos. Acredito que o tratamento que deva ser dado aos assassinos de seres humanos, desconsiderando o temor pelo desrespeito pelas leis e pela semelhança mais próxima do atingindo perante nós, deva ser no mínimo igual.

Ou seja, devemos tratar pessoas que se envolvem na matança e na exploração de animais (humanos e não-humanos) com dureza e respeito. Dureza pelo fato que eles fazem. Respeito por ser o mínimo que se deve dispensar ao terceiro.

Eu francamente gostaria de escrever aqui que nós devemos os lembrar de quão eles são terríveis, monstros, a escória da humanidade e como eles deveriam ter vergonha pelos atos covardes, impensados e impensáveis que eles cometem com tanta banalidade e frequência. Gostaria sim, pois realmente é verdade. Eles podem ser ignorantes de seus atos nefastos para a individualidade dos animais não-humanos, mas assim mesmo eles não deixam de ser tudo aquilo ali.

Porém, não podemos fazer isso. O motivo é o simples fato de não ser construtivo e benéfico para os animais não-humanos. Ser ofendido, de qualquer forma, leva a reações indesejáveis. Entre elas, são coisas como: ignorância, revolta, rancor e alfacismo. Sobre esse fenômeno tão comum e infeliz que é o alfacismo, dedicarei um post mais profundo em relação ao tema.

Mas então, essa dureza que é nunca esquecer quem eles são, o que eles fazem, e o que devemos ponderá-los tem que ser uma constância em nossa relação para com os creófilos. Um vegano educado (tanto no sentido de respeitador quanto no sentido de estudioso) calado, é um vegano dizendo amém para a matança a qual a pessoa que poderia ter um contato maior com o veganismo.

Portanto, se acreditar ser oportuno sua colocação, se achar que está preparado para a incursão, não hesite: converse. A palavra de um vegano é chave para a mudança do paradigma moral a qual estamos infelizmente inseridos.

Por uma Promotoria de Defesa Animal

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Mais uma petição… é, acho que já é de praxe fazer uma petição pelos Direitos Animais, sempre tem uma rolando pela internet e nenhum resultado. Mas, essa petição é diferente.

Trata-se de uma petição com uma proposta elaborada por alguém extremamente competente sobre o assunto: uma petição por uma promotoria feito por um promotor. E dessa vez, nada de petições sem RG, sem UF, sem nada. Uma petição realmente séria.

Portanto, aqui está a ligação da petição. Repassem para seus amigos, parentes, conhecidos, desconhecidos e até mesmo inimigos.

#GoVegetarian é um sucesso no Twitter

sábado, 20 de fevereiro de 2010
Por Robson Fernando

Hoje é o dia do “estouro da boiada” da tag #GoVegetarian no Twitter. No momento está em terceiro lugar entre os trending topics locais do Brasil.

Ao contrário de cybermanifestações em massa como o fracassado “#forasarney”, não se trata apenas de multiplicar a expressão “#GoVegetarian”, mas de levar a conscientização junto a ela. Frases de esclarecimento e links estão sendo divulgados ao lado de #GoVegetarian, e estão tendo uma enorme visibilidade.

O engraçado é que boa parte das reproduções da tag está sendo feita por onívor@s reacionári@s. Reagindo contra a revelação d@s vegetarian@s brasileir@s a público, acabam ajudando a divulgar a consciência vegetariana, mostrando que são incapazes de argumentos sérios a fundamentar a alimentação onívora — 99% das reações onívoras são trollagens e as velhas piadinhas do tipo “plantas são amigas, não comida” e assim favorecem muito nossa causa. Como eu comentei, em muitas de suas reações, @s onívor@s esquecem que também comem vegetais!

Parabéns aos/às vegetarian@s do Brasil nesse esforço bem-sucedido de divulgar o vegetarianismo à população online brasileira! Pelo visto, é a primeira ação vegetariana ativista de envergadura nacional bem-sucedida. É daí para melhor.

Do Fanatismo, Extremismo, Radicalismo e Fundamentalismo vegano

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Os veganos em geral têm uma fama bem infeliz, de serem fanáticos, extremistas e radicais ou fundamentalista. Quem encabeça tamanha caluniação são normalmente vegetaristas ditos moderados ou os próprios creófilos. Mas vejamos, seriam eles os fanáticos, extremistas e radicais ou nós?

Primeiro, vamos começar com a acusação mais comum: fanatismo. “Veganos são fanáticos”, dizem eles. Alguns chegam a afirmar que fazemos parte de sua seita ou coisa parecida. Eles normalmente querem dizer que não nos deixamos abalar diante dos mais coerentes, fortes e robustos argumentos creófilos. Exemplo desses argumentos são: “E as plantas?” (ou seja, que a lógica dos Direitos Animais leva aos Direitos das Plantas e nos torna hipócritas, ou no mínimo incoerentes), “E as proteínas?” (que vegetarianismo é inviável biologicamente). Os veganos são tão fanáticos, que eles ficam claramente irritados diante dessas perguntas tão pertinentes e inocentes.

Agora, vejamos: veganos são bombardeados de informações, apelações e todo tipo de “pregação” creófila que se pode imaginar; as ditas perguntas são demasiadamente repetitivas, e já estão tão batidas que parecem uma franca provocação, cheia de ar de prepotência e sarcasmo; e por fim, qualquer questionamento da eticidade da creofilia se torna um verdadeiro escândalo.

Segundo, falemos do extremismo. Para os creófilos, evitar explorar os animais é algo extremista. “Nem um peixinho morto asfixiado ou a pauladas?” ou “Nem um copinho de leite do bezerro que virou baby beef?” Negar coisas tão normais e moderadas quanto um animal aquático sensível ou uma secreção de uma mãe de outra espécie, é encarado como demasiadamente extremista por parte dos creófilos. Afinal, o normal, o moderado, é a tortura, o esquartejamento sem dó e reflexão, a matança dos animais (ou melhor, pagar-se para que algum heroi faça o trabalho por ele) para degustação ou vestimenta, exemplificando. O estalar da língua pelo suposto prazer em sentir entre os dentes a matéria mórbida é música para os ouvidos creófilos.

Ou seja, é coisa de gente equilibrada ser sádica, cruel e simplesmente terrível para com os seus diferentes. É o moderado. O extremismo é abster-se de tamanha covardia. Uma inversão de valores lamentável, que custa muita saliva humana e milhares de bilhões de vidas não-humanas.

A terceira acusação é a que me vem a ser a única apropriada. Apesar de, atualmente, se resume radicalismo e fundamentalismo ao extremismo e fanatismo, como se tudo isso fosse a mesma coisa, essas palavras não são semanticamente negativas. Quem é radical busca a raiz do problema, e realmente, os veganos buscam a raiz do problema animal que é o seu uso. Já, fundamentalista é aquele que busca os fundamentos e aplicá-los a realidade. Normalmente isso se dá num contexto religioso, porém uma proposta de estilo de vida ético não-fundamentalista é que nem água seca, não existe e é inconcebível. Todo vegano é fundamentalista pois ele trata de fundamentos éticos.

Contudo, a creofilia é por si um modo de vida não reflexivo. Por não ser reflexivo, ele não trata de raízes nem de fundamentos. Ele possui uma raiz e um fundamento, mas é algo alheio do creófilo. O creófilo é, via de regra, alienado da eticidade para com os animais. Eles, na verdade, ignoram que isso exista realmente. Afinal, quem são os que se importam com os animais?

Por fim, veganismo é sim radical e fundamentalista, conferindo os significados que expus, e a creofilia, por sua vez, é extremista e fanática.

O Especismo

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Especismo, tal como o racismo e sexismo é uma forma arbitrária de discriminação. Arbitrária pois não tem nenhuma ligação com um motivo racional de discriminação.

A discriminação entre homens e mulheres quando se trata de aborto, por exemplo, não é sexista. Homens não podem abortar, não há sentido algum em eles terem direito o direito de abortarem.

Já a discriminação entre humanos e não-humanos mais comuns (como não-humanos não terem direito à liberdade, a integridade física e a vida) são arbitrárias no momento em que o senso de liberdade, de integridade física e de vivência ser algo comum a maioria dos animais. O especismo ignora que os animais conhecem empiricamente a liberdade, sentem seus corpos e têm consciência de estarem vivos (ao temerem o cativeiro, o dano a saúde própria e a morte).

Mas o especismo não é uno, ele aparece em duas formas já bastante trabalhadas, sobretudo por Gary Francione: o especismo elitista (exemplificado pela fala de Lula, “O principal animal do mundo é o ser humano“) e o especismo seletivo (também conhecido como a esquizofrenia moral de Francione). Seguramente, a maioria dos brasileiros são especistas seletistas. Eles respeitam a vida de algumas espécies, enquanto vibram diante do cadáver de indivíduos de outras espécies. A ideologia vivissecionista, tal como a fala do presidente brasileiro, é elitista no momento em que coloca todas as outras espécies abaixo do julgo humano sem limites éticos além da cosmética pública.

O antiespecismo, ou a ideologia dos Direitos Animais, não se propõe, portanto, a exigir o reconhecimento do direito de voto dos cachorros ou o direito de livre expressão religiosa aos ratos. Seria um absurdo, uma verdadeira afronta ao bom-senso e a lógica.

O antiespecismo busca o fim da arbitrariedade que discrimina os animais quanto a suas espécies e tem como mínimo ético o veganismo.

Mini-Resenha: Manifesto pelos Direitos dos Animais

sábado, 13 de fevereiro de 2010
Manifesto pelos Direitos dos Animais

Manifesto pelos Direitos dos Animais

Manifesto pelos Direitos dos Animais, de Rafaella Chuahy é aquele tipo de livro que engana pelo título.

Primeiro, engana ao não ser exatamente um manifesto e, segundo, por não ser pelos Direitos dos Animais.

Acho difícil considerar um documento que não trata de conceitos e intensões (como deveria ser um manifesto) de forma própria, imperativa, como um manifesto. O Manifesto pelos Direitos dos Animais trata mais de resumir a teoria dos Direitos Animais e do Bem-Estarismo Animal, a realidade dos animais e apontar alternativas para amenizar a situação nefasta em que os animais se encontram atualmente.

A autora faz um bom trabalho, apesar de tratar de forma superficial Gary Francione e Tom Regan, na exposição sobre as teorias de bem-estar e direitos animais. Porém ela não vai além, ela não se propõe a mostrar uma teoria própria, ela se resume aos clássicos e nisso vejo um problema que atinge muito a literatura dos Direitos Animais, sobretudo aqui no Brasil: a falta de inovação.

Fora isso, ela teve o mérito de fazer uma extensa e atualizada pesquisa sobre as condições precárias as quais os animais se encontram atualmente. Contudo, nessa exposição ela chega ao ponto de ser bem-estarista. Colocando como se fosse uma grande coisa, para os Direitos dos Animais, o cuidado do consumidor com animais em determinadas situações. Exemplo disso é a dica para consumidores de produtos animais ornamentais, colocando que não se deve comprar produtos animais contrabandeados, como se os não-contrabandeados não fossem imorais.

A lista desses problemas é longa, o que coloca em dúvida, na minha leitura, de quais Direitos Animais ela está falando.

Por fim, ela claramente mescla ambientalismo, ou pelo menos ética ambiental, com ética animal. Eu sei que os dois podem ser conectados, mas Direitos Animais não necessariamente está vinculado ao ambientalismo. Direitos Animais trata de uma relação unilateral para com os indivíduos de outras espécies, nada de preservacionismo e afins. Mesclá-los só poderia fazer sentido caso fosse um Manifesto pelo Direito Ambiental, que não é a proposta aparente dessa obra. Assim, creio que essa abordagem por parte da autora não fez sentido no assunto que ela tratava, ainda mais com a presunção de se criar um manifesto.

O verdadeiro vegano e hipocrisia

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Aos que não leem o idioma inglês, uma tradução não-oficial com um erro evidente.

Diante dessa tirinha, me recorreu uma questão bem recorrente, que é a ideia de “veganismo verdadeiro”. Nesse artigo resolvo tratar dos limites do veganismo.

É bem recorrente, por parte dos creófilos, acusarem as pessoas que se autodenominam veganas de serem hipócritas. E mais, de veganos acusarem seus semelhantes de falso vegano. Registros disso podem ser encontradas, por exemplo, na comunidade Veganismo no orkut e nos comentários de algumas pessoas no Arauto da Consciência [para não citar fontes demasiadamente alfacistas].

A questão que está em jogo é o próprio conceito de veganismo.

Há quem conceitue veganismo de forma objetiva e prática: vegano é aquele que não consume produtos de origem animal ou testado neles. Consumir inclui também artigos cosméticos, etc. No Brasil, nenhum vegano, por essa definição, usaria remédios e produtos de limpeza pois é obrigatório o teste desses em animais não-humanos. Também se pode ir mais longe, colocando também o boicote a empresas que promovem essas coisas e qualquer subjugação dos animais não-humanos. Essa é a lógica por traz do boicote a marcas da empresa Unilever, a algumas empresas tabagistas, ao Metallica, etc.

Ou seja, é impraticável. Não é possível ser vegano dentro desse conceito. O simples fato de você se medicar, com a necessidade de tanto, torna-o um não-vegano. O fato de você pagar impostos, o torna um não-vegano.

Assim, é necessário um conceito de veganismo que respeite a realidade jurídico-ética em que estamos inseridos. É um absurdo afirmar que alguém empenhado na luta abolicionista, que faz tudo que está a seu alcance para que os animais não-humanos não sofram a seu custo, não seja honestamente um vegano. Claro que o é.

O veganismo consiste em fazer o possível agora diante do reconhecimento dos direitos animais. Não consiste em se isolar do mundo para que nenhum animal sofra dos seus atos individuais. É tentar fazer o possível para que isso não ocorra dentro de nossa realidade e promover o abolicionismo animal.

Os vídeos de choque e seus possíveis efeitos indesejáveis

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
(Postagem editada em primeiro de junho de 2010, para a adição de mais informações).

A maioria dos veganos brasileiros devem ter conhecimento de pelo menos um “vídeo de choque”. Exemplo desses são Terráqueos e A Carne é Fraca. Todos mostram uma realidade dura e crua em que os animais são submetidos pela indústria que os utiliza, nas mais diversas áreas as quais meteram os animais.

Porém, esses vídeos de choque evidenciam não o problema, que é o uso, mas sim a forma que se dá o uso. Eles não questionam o uso. Usar animais não é questionado nesses vídeos, exceto por uma pequena mensagem de apelo ao veganismo no final do vídeo. Algo extremamente singelo que é obscurecido diante da verdadeira enxurrada de sofrimento exposta pelo vídeo.

Assim, a verdadeira mensagem que é passada é de que o problema não é o uso, e sim o tratamento o qual os animais são submetidos. Que a questão não é por exemplo, que os porcos sejam criados para serem mortos, mas sim por eles serem criados em confinamentos antinaturais, insalubres e simplesmente submetidos a processos demasiadamente cruéis. Se eles forem bem tratados, o que qualquer bom pecuarista argumentaria ser o caso dos sujeitos que ele transformar nos produtos por ele comercializados, não há problema algum.

Normalmente, o discurso do bom tratamento dos animais perpetuado pelos pecuaristas, creófilos  e vegataristas bem-estaristas, encerra-se com o chavão do abate humanitário. Curiosamente, há uma diversidade de vídeos de choque de abate humanitário, revelando o quão isso é uma piada de mal gosto.

Obviamente, dentro da mentalidade bem-estarista, esses vídeos capturam exceções, falhas e outros sinônimos da ideia de excepcionalidade que convir argumentar. Contudo, essas falhas, até na ótica bem-estarista, valeriam a pena? Se há o risco de falha num sistema obviamente imperfeito, por que avançar utilizando-o?

Essas perguntas só podem ser respondidas face a um argumento irracional e especista.

Só afirmando que “vale a pena, pois nós estaremos nos beneficiando com o paladar” se fará sentido continuar com esse sistema (ignorando argumentos econômicos e culturais).

Porém, num vídeo de choque não se tem como contemplar tais aspectos argumentativos do bem-estarismo. Há de se preparar o visualizador do vídeo antes de exibir o vídeo. Sua simples exibição poderá trazer efeitos nefastos para os animais não-humanos, tais como:

  • A banalização do sofrimento animal exposto (não o subentendido, pois este já é banalizado).
  • O fortalecimento do bem-estarismo.
  • A ideia de excepcionalidade.

Todas as três possibilidades resultam num resultado quase que nulo.

Por isso, cuidado ao exporem os vídeos de choque. Eles podem ter um efeito não muito feliz.

Antes de fazê-lo, saibam a quem estão os dirigindo, forneça-os informações relevantes sobre o vídeo e, sobretudo, sobre a Ética Animal que a ela está vinculada.

Uma crítica ao dito “Vegansexualismo”

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Já faz mais de dois anos, mais tempo que eu tenho de veganismo, que o conceito vegansexual surgiu numa universidade neozelandesa. Então essa postagem pode ter chegado com muito tempo de atraso. Mas acredito que não será em vão, afinal até hoje comenta-se a respeito por se tratar de um assunto que permanecerá atual até a tão sonhada marginalização da creofilia.

Segundo um artigo português,

Um vegansexual é assim alguém que escolhe não se envolver íntima e sexualmente com parceiros que ingerem carne, sob o argumento de que os corpos destes últimos são autênticos “cemitérios de animais”, literalmente construídos e sustentados por restos de cadáveres, animais abatidos em condições que implicaram grande sofrimento para os mesmos. Um vegansexual não aceita envolver-se com alguém que contribuiu para os maus tratos e matança de seres vivos, nem com alguém cujos fluidos corporais transportam resíduos de uma alimentação carnívora (suor, saliva, esperma…)

Não tenho como negar que identidade ética, além de dieta similar, sejam aspectos que sim influenciem nas opções sexuais, quanto aos parceiros, que alguém pode ter. Porém, não vejo como considerar isso uma “orientação sexual”. Ser um vegano, e portanto um vegansexual, é fazer uma opção ética. Ser homossexual ou heterossexual nem sequer é uma opção, é realmente uma orientação sexual, uma condição que independe da vontade da pessoa.

Além disso, aqueles que possuem fetiche por, por exemplo, pessoas que cometem crimes seriam criminossexualismo [entendendo o aspecto ético do crime]? E mais, pessoas que se envolvem apenas com artistas (tal como os próprios artistas em vários casos) seriam artessexuais?

Acho que não.

Os tipos de vegetarianismo

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Vegetariano ou não vegetariano? Eis a questão!

Uma classificação clássica de vegetarianos é a seguinte:

  • Vegetarianos estritos: os que comem exclusivamente de vegetais, bactérias e fungos.
  • Ovo-lacto-api-vegetarianos: normalmente há a omissão do api, esses  também comem laticínios, ovos e mel.
  • Lacto-vegetarianos: os que comem vegetais e laticínios (provavelmente também mel).

Outras classificações são mais detalhadas, incluindo:

  • Crudívoros: aqueles vegetarianos estritos que apenas comem coisas cruas.
  • Frugívoros: aqueles vegetarianos que apenas comem frutas.

Há classificações mais “liberais”, que, por sua vez, incluem:

  • Pesco-ovo-lacto-api-vegetarianos: os creófilos que apenas comem, de animal, peixes.
  • Semi-vegetarianos: os creófilos que fazem uso de cadáver animal em quantidades reduzidas.

Em contraste, ao consultar o Aurélio, leia-se:

vegetariano. [Do fr. végétarien.] Adj. e s. m. Diz-se do, ou partidário da alimentação exclusivamente vegetal.

Eu tenho conhecimento que as palavras mudam de significado durante o tempo, sendo que atualmente vegetariano é a mesma coisa que alguém que se abstêm de comer defunto alheio (apesar de, para alguns, presunto e peixe não se configurarem em defunto).

Porém, é desonesto a usurpação do termo vegetariano por não-vegetarianos, especialmente os vegetaristas (os ovo-lacto-api-vegetarianos). É um absurdo ainda maior considerar os creófilos que comem apenas peixes como vegetarianos.

Assim, proponho a seguinte classificação, que não inclui considerações filosóficas (veganos, freeganos, macrobióticos vegetarianos, etc):

  • Vegetariano: aquele que come exclusivamente vegetais, bactérias e fungos.
  • Crudívoro: aquele que come exclusivamente vegetais, bactérias e fungos crus.
  • Frutívoro: aquele que come exclusivamente frutos.

Os creófilos, por sua vez, seriam divididos entre:

  • Vegetaristas: aqueles que comem vegetais e derivados animais.
  • Semi-creófilos: aqueles creófilos que comem defunto de forma esporádica.
  • Creófilos: aqueles que comem vegetais, derivados de animais, ou não, e defuntos de forma constante.

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