Opinião Vegana

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O mundo sob uma ótica vegana.

Arquivo de janeiro, 2010

O Zoo referência do Norte-Nordeste

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Hoje, ao ligar o computador, me deparei com um tweet que me chamou atenção.

agecom

Zoo de Salvador é referência no Norte-Nordeste http://bit.ly/axuEpt

Ter a expressão “Zoo de Salvador” e “referência” numa mesma frase assusta qualquer um que já visitou a infame instituição zoopenitenciária.

Como alguns podem saber, a alguns anos atrás, o promotor Herón Santana entrou com um pedido de habbeas corpus em favor de uma chimpanzé encarcerada na instituição. A chimpanzé, contudo, acabou falecendo antes da decisão sobre sua libertação.

Zoológico são, por natureza, lugares antinaturais de encarceramento de animais para fins “educacionais” e de lazer. Para humanos, ou alguns deles, é divertido observar animais presos em jaulas. Além disso, alguns veem um fim educativo nessas instituições. Como se observar animais em cativeiro ensinasse alguém mais do que o fato deles não deveriam estar lá.

Voltando ao motivo de orgulho do governo Jaques Wagner, a agência de comunicação do estado afirma:

As 230 espécies de ararajubas, canários, cardeais e azulões, entre outros pássaros, que vivem no Zoológico de Salvador, a partir desta terça-feira (26), passam a viver de maneira livre e integrada com a natureza. Trata-se de mais uma etapa da reestruturação do parque, um projeto inédito no Nordeste, que visa proporcionar às aves um local mais próximo do seu habitat natural.

O local é composto por um cenário enriquecido com cachoeiras e córregos, onde toda a água utilizada é filtrada e reutilizada, além de uma vegetação nativa dos biomas Mata Atlântica, Caatinga e Manguezal, que ganha harmonia e se completa com o som dos pássaros.

[...]

Durante a inauguração, o secretário do Meio Ambiente, Juliano Matos, destacou que o Zoo é uma prioridade, que deve ser tomada como uma referência de lazer, pesquisa e conservação. “A ideia é fazer do Zoo um parque para a vida animal, onde as visitantes possam interagir com as espécies sem perder o foco do cuidado com os animais”. O secretário enfatizou que o Zoológico de Salvador é uma das poucas opções de lazer gratuitas e que permitem o contato com os animais.

[...]

Outra grande novidade que já pode ser apreciada no Zoo de Salvador é a casa dos 12 felinos que o parque abriga atualmente. Os leões, as onças pintadas e pretas e as sussuaranas vivem hoje numa área com 42% a mais de espaço. As jaulas e as grades foram substituídas por vidro laminado, dando uma linguagem visual moderna, a fim de respeitar os aspectos fisiológicos e comportamentais dos animais.

O secretário Juliano Matos defendeu que as reformas no Zoo vão dar dignidade às espécies, tornando o local um centro de lazer mais atraente. “É possível estudar o comportamento dos felinos, oferecendo um ambiente de qualidade, que permita aquisição de dados técnicos sobre as espécies, a serem aplicados em pesquisas e educação sobre a fauna silvestre”, informou.

[...]

Dizem que a prioridade é a vida dos animais, depois ressaltam o fato de ser um “centro de lazer”, e que os fins das alterações é tornar o centro de lazer melhor… para os humanos! Paradoxal.

Jaulas maiores, não jaulas vazias. Como a esmagadora maioria das ações de caráter bem-estaristas, que não reconhecem que animais tem direitos, mas apenas procuram mitigar os efeitos nocivos os quais o não reconhecimento dos Direitos Animais causam, nos animais, as mudanças cosméticas não visaram os animais realmente. Elas visaram o ser humano, sua consciência abalada e apenas isso. Uma mudança em realmente em prol dos animais, que o governo da Bahia poderia tomar, seria a transformação do zoológico em um  santuário.

O Caso Metallica

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Antecipadamente, digo logo que não gosto do Metallica. A banda não faz meu gosto musical.

A vinda da famosa banda de metal às terras tupiniquins tem suscitado uma série de discussões na mídia de Direitos Animais. Como alguns devem saber, o guitarrista da banda é vegetariano. Ele também supostamente é criador de cavalos, o que coloca as especulações dele ser vegano abaixo.

Mas não é bem isso que vem alimentado o debate a redor do Metallica. Quem está em pauta é o vocalista da banda, James Hetfield. Lilian Garrafa da Agência de Notícias de Direitos Animais escreveu sobre Hetfield:

Seu histórico de assassinatos é antigo. Em 2001, o vocalista fez uma expedição de duas semanas para caçar ursos na Sibéria. Durante esse período, em que se dedicou integralmente à atrocidade, sequer foi capaz de retornar para passar o aniversário junto de seu filho. O DVD Some Kind of Monster exibe cenas do que o artista categoriza como “hobby”

E não para por aí. Por onde quer que passe, Hetfield sempre procura meios de dar seus tiros, executando, de modo totalmente injustificável, seres indefesos que têm a infelicidade de cruzar seu caminho. A foto a seguir foi tirada durante uma caçada na Patagônia, Argentina.

Ela termina seu artigo afirmando que

Enquanto a barbárie praticada por Hetfield não for censurada e punida legalmente, o mínimo que se pode fazer é boicotar os shows da banda. É o meio de manifestar que seus fãs, apesar de curtirem o som da banda, não concordam, não apoiam as atitudes de seu vocalista e, sobretudo, têm consciência de que pagando para assistir a um show ou comprando um CD ou DVD, estarão patrocinando a atitude cruel de Hetfield. Passou da hora de demonstrarmos o descontentamento com o que nos é imposto.

O instrumento do boicote é extremamente importante para a consolidação dos Direitos Animais de forma não-violenta, um instrumento que não se deve deixar de usar quando for possível. Mas creio que esse não seja necessariamente o caso.

Vejamos: queremos abster-nos de financiar a atividade antiética, a caça, de Hetfield, ao boicotarmos a banda o qual ele integra. Essa caça é antiética no momento em que ela viola o direito a vida aos animais sencientes que são alvejados de forma covarde pelo vocalista, e uma forma dele parar de fazer isso é não apreciar, monetariamente, o trabalho dele.

A partir de um raciocínio desse tipo, o que me aparenta ser o demonstrado pelos defensores do boicote, podemos estender aos creófilos em geral. Afinal, os creófilos pagam para que matem animais sencientes de forma covarde por pessoas pagas para fazerem isso.

Devemos, então boicotar todos os profissionais creófilos? E mais, todas as empresas que de alguma forma estejam vinculados ao desrespeito dos Direitos Animais [empresas essas que, por exemplo, têm um produto de origem animal.

Se levarmos a coisa nessa lógica, o boicote será impraticável.

Porém, analisemos então o que está em jogo no show. Estaríamos pagando pelo quê? Para quê James cace?

Não.

Não pagaríamos o ingresso para que James cace. É uma questão teleológica. O dinheiro o qual transferiríamos para James não foi por causa da magnífica temporada de caça que ele teve. Mas sim pelo espetáculo musical do conjunto. O trabalho deles é esse: tocar. E estaríamos pagando pelo trabalho deles.

Já a forma a qual eles usaram esse dinheiro está fora de nosso controle.

O mesmo é aplicável a qualquer tipo de trabalhador. Ele pode usar o seu dinheiro para comprar tofu ou para comprar bacon. A liberdade dele, dentro de nossa sociedade especista, o permite fazer isso. James provavelmente deve caçar legalmente, se não o faz, a sua atividade já é ilegal, além de antiético.

Enfim, a mensagem que temos que passar é que sim, repudiamos James. Repudiamos a creofilia e tudo o quê o sistemático institucionalizado desrespeito aos Direitos Animais é. Não só a caça esportiva, ou melhor: a caça sádica. Mas sim todas essas aberrações.

Inauguração do blog Opinião Vegana

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Bem-vindo ao blog Opinião Vegana. Essa é a primeira postagem aqui, a primeira de muitas, espero, a virem.

Como o nome sugere, o blog trata-se de veganismo. Não é simplesmente mais um site de divulgação dos ideias veganos, de ativismo virtual ou de conscientização. Trata-se de um lugar em que a ótica vegana, a forma vegana de encarar a realidade, pretende ser expostas.

Aqui você encontrará desde reflexões sobre teoria de Direitos Animais, até resenhas sobre obras literárias ou outras artes. Tudo isso na ótica do veganismo.

O blog não está fechado, comentários são livres (respeitando critérios expostos na página sobre política de comentários) e contribuições veganas são muito bem-vindas.

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